Crime e Castigo

Tipo de documento:Revisão Textual

Área de estudo:Física

Documento 1

Às do primeiro grupo, Raskólnikov atribuía o direito de burlar a lei, caso fosse necessário, pois eram essas pessoas, segundo ele, que alavancam o mundo, e o progresso, e guiavam as massas. O rapaz se sentia entre essas pessoas, extraordinário, destinado a grandes feitos, porém paupérrimo vivia em um cubículo no qual mal podia esticar as pernas. Pouco tinha para comer e as roupas que possuía era as que levava no corpo. Imbuído desses sentimentos, no entanto, decide se colocar acima da lei e para isso planeja o assassínio de uma velha usurária, Alena Ivanova. Ele sabia que Alena era má e sovina, tinha muito dinheiro em casa, devido à função que exercia e que para não deixar nada para a meia irmã (na qual chegava a bater e pegar todo o dinheiro que ela ganhava com costuras) deixaria tudo para crianças órfãs. Esses fatos foram um grande estopim para que Raskolnikóv partisse da ideia para a ação. Além de se julgar no direito ao crime, estaria fazendo um favor livrando o mundo da velha usurária e ajudando os órfãos em consequência. Para ele, perfeito. Ródion ou Ródia como é chamado pela família, irmã e mãe, é uma personagem muito complexa. Motivo que nos faz enxergar a história de vários prismas e continuar atribuindo vários significados para as suas ações. O motivo para o crime, justificativa dada por ele a si mesmo, era que precisava do dinheiro, merecia tê-lo, e por isso tinha o direito a obtê-lo, fosse como fosse.

E ele comete o crime (não entrarei em detalhes sobre, mas guarde uma palavra: sincipúcio), de forma brutal até, mas sai do seu controle e acaba acontecendo algo de inesperado. Mas, sendo Ródia alguém capaz de assassinar uma pessoa a sangue frio, é também capaz de entrar em um prédio em chamas para salvar duas crianças, é alguém capaz de dar o que tem no bolso para que um recém conhecido não seja despejado, é alguém capaz de se livrar novamente do que tem no bolso para ajudar novamente este mesmo camarada uma segunda vez. Nos tempos de estudante dividia metade do que tinha com um colega menos favorecido para que esse pudesse ajudar o pai doente. E Ródion tinha pouco muito pouco.

A miséria humana é retratada por Dostoiévski com um olhar único. Raskólnikov é alguém levado ao máximo da indignidade, ao fundo da miséria, ao desespero total e enlouquece. Antes de cometer o crime já era um espírito atormentado, privado de tudo. Quando a história começa Raskolnikóv havia abandonado os estudos, pois havia chegado a uma conclusão de que não valia a pena o que estava fazendo. Os anos de privação e fome, os sacrifícios de sua mãe e irmã, no interior, para que ele se formasse, se depois disso somente dali há dez anos poderia com custo ter um salário médio. O guarda o olha como para um louco e se afasta atrás da jovem.

Esse pequeno trecho diz muito sobre a luta interior que se travava em Raskólnikov. Lutar ou deixar como estar¿ Tinha ele realmente os direitos que supunha¿ Merecia mais¿ Ou, como aquela pobre criatura, sua sorte e lugar no mundo eram aqueles¿ E tinha que se contentar¿ Outras personagens são apresentadas na história e todas tão complexas como Raskolnikóv, e uma que merece destaque nessa resenha é Sônia Semenovna. O homem a quem Ródion dá dinheiro para que não seja despejado vem a ser pai dessa moça, e se chama Marmelâdov. O sujeito se viciou em álcool depois de perder o emprego e por conta disso nunca mais parou em outro. Sônia Semenovna exposta ao mesmo, optou por vender seu corpo. E mais, ambos não pensavam apenas em si, mas nos seus.

O que levou a essa diversidade tão grande de ponto de vista¿ Sendo ambos tão opostos e tão iguais¿ As circunstâncias de um encontro casual entre Ródia e Marmelâdov e aproximam de toda à família e em especial de Sonetchka, a quem ele passa mesmo a nutrir um grande carinho. Em uma cena ajoelha aos pés da moça e os beija, será que vê ali o seu oposto¿ A força que ele deveria ter tido para não cometer um crime. Ora, Raskólnikov dava aulas, um amigo lhe ofereceu trabalho como tradutor. Ao se prostrar aos pés de Sônia é isso mesmo que o protagonista diz, que não se ajoelhava aos pés, mas sim diante de toda a dor humana.

Um momento no qual também sucumbia e entendia, até certo ponto, seu próprio espírito. Enfim, o foco principal do livro é esse, o crime e o castigo, de Ródion Românovitch, que é uma personagem enigmática, por várias razões que já dei. E muito humano, impossível não senti-lo e não simpatizar com ele. Por vezes taciturno e amargo chega a ser cruel com o seu melhor amigo, Razumíkhin, e até mesmo com sua mãe, sua irmã e com Sônia também.

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