TEOLOGIA - EXEGESE A ORELHA DIREITA DE MALCO

Tipo de documento:TCC

Área de estudo:História

Documento 1

II. E o sonho de Malco não acabou CAP. III. Malchus, o servo do Sumo Sacerdote CAP. IV. A noite não dormida de Jesus CAP. V. Arão, um perfil genealógico Considerações finais Glossário Referências Bibliográficas. Introdução A presente monografia discorre sobre “A orelha direita de Malco”- um servo do Sumo Sacerdote Caifás, nos tempos do Império Romano, o que necessariamente nos leva a uma reflexão sobre as condições históricas, sociais, políticas e religiosas, que foram vivenciadas pelo povo de Israel no seu dia a dia. Naqueles tempos, onde a opressão exacerbada dominava, alienava e esmagava em todos os sentidos os interesses legítimos da população, os sacerdotes do Templo e seus servos respaldados pelo Império Romano, determinavam o fiel cumprimento de suas ordens, as quais, eram executadas por seus subordinados sem o menor escrúpulo, não importando o quão ilegítima fosse a missão dada, tudo nos estritos termos da legislação judaica, que legitimava, inclusive a nomeação dos futuros sacerdotes e respectivos servos à revelia de Deus. Nesse cenário conturbado, a população almejava a vinda de um Messias que pudesse aliviar todas as suas aflições motivadas pelo sofrimento pelo qual passava, com seus problemas materiais e espirituais. O ser divino para libertar o povo de toda a opressão, para fazer proclamar aqui na Terra a libertação do Seu povo. No imaginário de muitos, seria um grande e poderoso líder militar, com grande poder de retórica, mantenedor da paz e invencível na guerra.

Dentro deste contexto, seria impensável conceber a ideia de que um homem de origem humilde, filho de um carpinteiro e nascido na Galiléia, pudesse ser o detentor das virtudes de um Messias autor e consumador da fé e que tirasse os pecados do mundo com plenitude divina. Tal concepção vem confundir àqueles que eram levados pela lógica racional e terrena, ensejando assim, o repúdio e censura pública a que Jesus Cristo que ignorando a elite poderosa, chama para segui-lo somente os cansados e sobrecarregados. Os desígnios de Deus, portanto, vem contrariar todos os prognósticos do homem, pois, para que se cumprissem as Escrituras, o Deus Forte, Maravilhoso Conselheiro, o Pai da eternidade e Príncipe da Paz, o Unigênito, nascido de virgem, na cidade de Davi, da raiz de Jessé, da tribo de Judá, fora enviado na pessoa de Cristo.

Destarte, a população, grosso modo, não o recebeu como tal, uma vez que possuída de miopia espiritual, olhou, mas não viu, escutou, mas não ouviu e a dureza de seu coração a impediu de crer naquele que era ( e é) o Santo dos Santos, pois o via apenas com os seus olhos carnais e o escutava com a mente e coração impregnados de toda maldade e pecado. Jesus Cristo representava para o povo e, principalmente, para os principais da sinagoga, os que chamavam a si mesmos de justos e religiosos (supostos ascéticos cumpridores da lei mosaica), um grande conhecedor e estudioso das Escrituras, as quais, deliberadamente, desobedecia. Acusavam-no de arregimentar prostitutas e cobradores de impostos. A elite romana o via como um pobre e maltrapilho.

Disse-lhe Jesus: Guarde a espada! Pois todos os que empunham a espada, pela espada morrerão. Mateus 26:51-52). Pelos escritos de São Mateus, (capítulo 26 e versículos 51 e 52), não há menção do nome do servo do sumo sacerdote, nem tampouco, qual a orelha foi decepada por um dos que estavam com Jesus Cristo, no momento de sua prisão, logo após o beijo dado na face do Mestre por Judas, o traidor. Vamos encontrar também um texto em que nada esclarece em termos de autoria das ações praticadas no referido incidente bíblico: • “Nisto, um dos circunstantes, sacando da espada, feriu o servo do sumo sacerdote e cortou-lhe a orelha. ” (Marcos, 14:47). Lucas preferiu enfatizar o fato da cura por Jesus da orelha direita de Malco, sem mencionar seu nome nem o nome de Simão Pedro, autor da agressão.

CAP. II – E O SONHO DE MALCO NÃO ACABOU O que se pode chamar de “O sonho de Malco”? A resposta pode ser dada à luz da alusão ao texto bíblico por meio da letra musical de autoria de Gerson Rufino1 que aqui é transcrita: “Na escola de sacerdotes, ele estudou Durante cinco anos se dedicou, E de repente viu seus sonhos se frustrar; Para ser um sacerdote, Tinha que ser filho de Abraão, Da Tribo de Levi Do tronco de Arão, do lado direito a orelha tinha Que estar perfeita; Mas tudo mudou, quando Pedro chegou na hora errada E sem saber , ao fio da sua espada, A orelha de Malco ele decepou; E agora, o que eu vou fazer? O lugar da minha orelha Até pode doer , mas a dor maior está ali no chão; Sem minha orelha, não tem chances; O meu sonho morreu, pra mim tudo acabou Mas como sempre, Jesus está presente pra Ressuscitar , os sonhos de quem parou de sonhar , Se agachou e a orelha Ele pegou; Colocou a orelha no mesmo lugar , Malco se tornou sacerdote, se prepare que você Vai chegar lá Seja qual for o seu sonho, ser sacerdote Ou pastor , levita ou pregador; O que quiseres ser , você será Não sei quando foi a orelha, que deceparam de você Só estou aqui pra lhe dizer: Que pelas mãos de Deus ela vai voltar , Pro mesmo lugar”.

O sonho de Malco era ser sacerdote, para isso, já vinha sendo preparado através dos estudos e reflexões segundo a tradição judaica. É imperioso salientar que havia restrições em relação a qualquer defeito físico que um pretenso sacerdote viesse a ter, portanto, jamais seria permitido alguém não possuindo a orelha direita ingressasse no ministério sacerdotal. Lendo a bíblia sagrada vamos encontrar no evangelho de São João, a identificação deste personagem como sendo um servo do Sumo Sacerdote Caifás. E quem seria Caifás? Flávio Josefo historiador judeu, afirma em seus registros que Caifás tornou-se sumo sacerdote por volta do ano 18 D. C. nomeado por Valério Grato e que foi deposto por Vitélio em torno do ano 36 D.

C (Antiquitates Jadaicae, 18. De modo que era atribuição dele a função de executar também missões estranhas ao ofício, os chamados “trabalhos sujos”, segundo mostra algumas passagens bíblicas. Assim, Malco enquanto servo do sumo sacerdote Caifás, comandava a tropa de soldados romanos no momento da prisão de Jesus Cristo, exercendo, portanto, o tal “trabalho sujo” em estrita obediência ao seu superior hierárquico. Vamos encontrar vários outros servos executando trabalhos e ou missões sujas, dentre os quais, o apóstolo Paulo, então servo do sumo sacerdote de plantão, ainda na época do cristianismo primitivo, tendo em vista sua própria confissão: “[. E, havendo recebido autorização dos principais dos sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e quando os matavam eu dava o meu voto contra eles.

E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, os obriguei a blasfemar. Configura-se o dito que “Deus escreve certo por linhas tortas” (alguns autores atribuem este ditado aos escritos hebraicos que são executados da direita para a esquerda), pois, pelo ato brutal de Pedro sobreveio a misericórdia e o amor de Cristo em seu gesto incontinenti de cura milagrosa, sem o que, seria impossível a Malco prosseguir acalentando o sonho de ser tornar um sacerdote, donde: “Pois nenhum homem em quem houver defeito se chegará: como homem cego, ou coxo, ou de rosto mutilado, ou desproporcionado (. Nenhum homem da descendência de Arão, o sacerdote, em quem houver alguma deformidade, se chegará para oferecer as ofertas queimadas do Senhor; ele tem defeito; não se chegará para oferecer o pão do seu Deus.

” (Levítico- 21:18,21). A lei mosaica era extremamente rigorosa e restritiva no que tange aos cerimoniais litúrgicos, e, sobretudo, a quem os realizava. Determinava, por exemplo, que as ocasiões de sacrifícios no altar de Deus somente teriam início com o sacerdote previamente lavado, usando as vestes sacerdotais e ungido com óleo, para então, este ter acesso ao altar. Malco, tendo obtido a aprovação do Sinédrio era um servo dedicado e obediente ao Sumo Sacerdote Caifás, por quem havia sido indicado e posteriormente nomeado, podendo, inclusive, substitui-lo na sua ausência. Representava, portanto; Caifás, no comando das tropas romanas no momento da prisão de Jesus e cumprindo a missão para a qual havia sido designado, caiu em desgraça ao ter sua orelha direita cortada pela lâmina da espada que Pedro empunhava.

Com base nos textos da lei mosaica vigente, a mutilação retirava definitivamente suas chances para o sacerdócio por mais reverente e dedicado que fosse. Representava um verdadeiro pesadelo na vida de qualquer sacerdote. Sabedor de aquele homem estava cumprindo ordens superiores acreditando estar a serviço de Deus, Cristo não imputou a ele nenhuma culpa. Neste famigerado episódio da prisão de Cristo foi que aconteceu o encontro entre este e seu perseguidor. Simão Pedro, além de infligir sofrimento a Malco, também causou tristeza em Cristo que previu a negativa por parte daquele por três vezes, alegando desconhecê-lo. Arrependeu-se profundamente e Cristo o perdoou e restaurou sua vida por completo (ver Atos 2:14 a 41). CAP. IV - A NOITE NÃO DORMIDA DE JESUS O discernimento popular em sua exegese bíblica incorre em constantes erros nos textos do Antigo e Novo Testamentos, sobretudo, quando se trata de datas.

O Papiro 46/3 é um dos papiros mais antigos do Novo Testamento, mostrando 2 Cor 11: 33-12: 9, que serve de alusão aos demais textos da Bíblia Sagrada, dentre os quais, os Evangelhos de Marcos, Mateus, Lucas e João, que são citados no presente trabalho e que testemunham a trama e o drama da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, enfatizando, sobretudo, o caso do corte e da cura da orelha do servo Malco. A trama em pauta é também definida como sendo uma noite não dormida por Cristo, como nunca antes, pois na iminência dos acontecimentos de que sabia que estavam para lhe sobrevir, enquanto seus discípulos dormiam (apesar de sua recomendação de orar e vigiar) mergulhou em profunda tristeza e angústia (a ponto de suar sangue) e começou a orar (v.

Mateus 26:37 a 46 e Lucas 22:44). Acrescenta-se a isso os muitos impropérios misturados às zombarias da população que permeava as ruas clamando aos brados pelo julgamento e morte daquele que se tornaria o salvador do mundo, autor e consumador da fé. Considerado por muitos como sendo um malfeitor da sociedade, alcoviteiro e subversivo das leis judaicas. Instituindo assim, o memorial a Cristo – a ceia. Realizada momentos antes da sua prisão e julgamento, conforme deixa claro Marcos em seu livro: “Ao cair da tarde, foi com os doze. ” (Marcos 14:17). A julgar pelos escritos dos livros sinóticos presume-se que aquela noite de quinta-feira tenha sido de fato extremamente tensa e conturbada: “Logo pela manhã, entraram em conselho os principais sacerdotes com os anciãos, os escribas e todo o Sinédrio;e, amarrando a Jesus, levaram-no e o entregaram a Pilatos.

”(Marcos 15:1) Entre o anoitecer de quinta feira e o amanhecer da sexta feira, verificamos pelo texto transcrito acima que os sacerdotes, anciãos, escribas e o próprio Sinédrio, com base na legislação judaica, ouviram, julgaram e condenaram a Jesus Cristo. ” (João 18. • (v. também, Mateus 27:27 a 31). Vale ressaltar que a luz dada a todo esse cenário implacável, embora gerado, mas até então contido, iniciou-se com o gesto violento de Pedro ao cortar a orelha direita de Malco. CAP. Faze também vir para junto de ti, Arão, teu irmão, e seus filhos com ele, dentre os filhos de Israel, para me oficiarem como sacerdotes, a saber, Arão e seus filhos Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar. Farás vestes sagradas para Arão, teu irmão, para glória e ornamento.

” (Êxodo 28:2). Arão começa a atuar como personagem bíblico na ocasião em Deus o instrui a ir encontrar-se com seu irmão Moisés quando este regressava ao Egito após ter falado com o Altíssimo que se lhe apareceu em meio a uma sarça ardente. Por ter Moisés deficiência na sua dicção (deduz-se que tenha sido gago) e total ausência de retórica, relutou em ir à presença de Faraó. Porém o nome de Arão escreverás sobre a vara de Levi; porque cada cabeça da casa de seus pais terá uma vara. E as porás na tenda da congregação perante o Testemunho, onde eu vos encontrarei. A vara do homem que eu escolher, essa florescerá; assim, farei cessar de sobre mim as murmurações que os filhos de Israel proferem contra vós.

No dia seguinte, Moisés entrou na tenda do Testemunho, e eis que a vara de Arão pela casa de Levi, brotara, e tendo inchado os gomos, produzira flores, e dava amêndoas. ” (Números 17: 2,3,4,5 e 8). Êxodo 32: 2, 5, 21, 22 e 25). Vagou o povo hebreu pelo deserto, sob a liderança de Moisés e Arão, antes de chegar à Terra Prometida, exatos quarenta anos e cinco meses após sua retirada do Egito. Contudo, por incredulidade e prevaricação demonstradas em Cades, onde, inclusive, morreu e foi sepultada Miriã, (v. Números 20) nem Moisés, nem Arão, nem tampouco aquela geração que saiu do Egito, viu a terra de Canaã, porquanto, foram por Deus impedidos de o fazerem. Os textos abaixo corroboram tais assertivas: “Mas o Senhor disse a Moisés e a Arão: Visto que não crestes em mim, para me santificares diante dos filhos de Israel, por isso, não fareis entrar este povo na terra que lhe dei.

Moisés. Pois, despiu a Arão de suas vestes e vestiu com elas a Eleazar, seu filho; morreu Arão ali sobre o monte; e dali desceram Moisés e Eleazar. Era Arão da idade de cento e vinte e três anos, quando morreu no monte Hor. Números 20:23, 25, 25, 26 e 28). À guisa de esclarecimento, o monte Hor situa-se nos limites de onde ficava a tribo dos edomitas que nos dias atuais correspondem ao território da Jordânia. Em nossos dias o que observamos perplexos no Brasil e no mundo? Cresce de forma estarrecedora o índice de criminalidade. Os crimes por sua vez, são praticados de formas cada vez mais cruéis. A violência se multiplica pelos motivos mais fúteis, tornando a vida nas grandes cidades um verdadeiro desafio a cada dia, pois o indivíduo sai de sua casa, na melhor das hipóteses, na condição de um futuro refém e retorna à mesma na condição de sobrevivente.

Isso vem constituir um pesadelo no imaginário de um cidadão de bem. O público alvo das hostes diabólicas tem sido principalmente os jovens que entregues a si mesmos enveredam pelos caminhos do álcool e das drogas. Há referência à cidade em Gênesis 14:7, Gênesis 16:14, Gênesis 20:1, Números 13:26, Números 20:1, Números 20:14, Números 20:16, Números 20:22, Números 27:14, Números 33:36, Números 33:37, Deuteronômio 1:46, Deuteronômio 32:51, Juízes 11:16, Juízes 11:17, Salmos 29:8, Ezequiel 47:19 e Ezequiel 48:28. • O Monte Hor (em hebraico: Hor Ha Har) é o nome dado no Antigo Testamento às duas montanhas distintas. Uma delas está na terra de Edom, no leste da costa do Mar Morto (na atual Jordânia), o outro perto do Mar Mediterrâneo, na fronteira norte da terra de Israel, conforme o Dicionário Bíblico.

• Coré ou Corá (em hebraico padrão: Kórakh, tiberiano: "calvície, gelo, granizo, geada") é um nome associado a alguns vilões da bíblia. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. S. A /Dallas Theological Seminary,1973, 1974, 1975). Vida. • JULIANO, Sandoval. Malco - o servo da orelha cortada. Março-Abril 2000.

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