Controle de Qualidade em Análises Clínicas

Tipo de documento:Redação

Área de estudo:Geografia

Documento 1

Demonstrou-se a função do setor, as fases de um processo total de exame, com suas respectivas demandas, a necessidade da qualidade e da biossegurança, bem como sua importância no contexto hospitalar, reduzindo as infecções hospitalares e a resistência bacteriana, já que através de resultados fidedignos, haverá o favorecimento da redução do tempo de internação do paciente no hospital, devido à aplicação da terapêutica mais adequada e da redução dos gastos referentes ao tratamento, além disso poderá ajudar a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) em seu trabalho na diminuição das infecções nosocomiais e a da resistência bacteriana. Assim, pode se correlacionar os pontos críticos do setor, que em sua maioria ocorrem nas fases extra-analíticas com a necessidade da implementação da qualidade. A proposta da utilização de um sistema de gestão de qualidade para a área e dos instrumentos capazes de subsidiar a implantação do mesmo, são prementes para a melhoria contínua da qualidade dos serviços prestados pelo laboratório e pelo corpo clínico. Dessa forma, a implantação da gestão da qualidade no setor é extremamente importante para que este venha cumprir eficientemente seu papel na prevenção e controle de infecções e da resistência microbiana em ambiente hospitalar, minimizando o tempo de internação do paciente e os custos hospitalares. Public health in Brazil has suffered serious consequences due to constant infections, health complications of patients, leading to increased morbidity and mortality, besides the increased length of hospital stay and also costs.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS: 13 3 METODOLOGIA 14 4 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 15 4. O LABORATÓRIO DE MICROBIOLOGIA CLÍNICA 15 4. A prática no laboratório de microbiologia clínica 15 4. Fase Pré-Analítica 16 a) Requisição de exames microbiológicos 16 b) Coleta e transporte das amostras 17 c) Verificação da amostra e do formulário de solicitação 18 d) Manutenção após o processamento amostra 18 4. Fase Analítica 18 a) Insumos Laboratoriais 19 b) Equipamentos e Instrumentos 21 c) Análises 22 d) Equipe Técnica 24 4. Naquele período os médicos supunham que haveria a extinção de doenças infecciosas, entretanto o excesso na sua utilização tornou seleto alguns microrganismos resistentes, causando um incremento do problema. Por toda essa situação criada, houve a necessidade de realizar ações que levassem ao, maior controle e prevenção na área, que fossem dispostas por equipes habilitadas como a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH).

Senso assim, no Brasil, através da Portaria nº 196 de 1983, o Ministério da Saúde tornou-a de existência obrigatória em ambiente hospitalar (SOUZA, ROCHA & GABARDO, 2011). De acordo com a Portaria nº 2. MS/GM, de 12 de maio de 1998 (BRASIL, 1998), o laboratório de microbiologia clínica deve ser participar ativamente da CCIH, agindo como conselheiro da mesma. O profissional farmacêutico deve atuar como responsável técnico/gestor na área de análise microbiológica, exercendo com responsabilidade e ética seu papel neste setor, de forma a implementar a gestão da qualidade, para assegurar a exatidão, a confiabilidade e a reprodutibilidade de cada análise realizada no laboratório (CRF-SP, 2007). Por isso o farmacêutico, como gerente/gestor do laboratório de microbiologia deverá: (. implantar um sistema que apresente evidências objetivas dos dados e dos procedimentos para que os processos sejam monitorados, controlados, avaliados e validados de forma a permitir a rastreabilidade do processo e a confiança (exatidão e precisão).

A comunicação dessas competências é possível por meio de um modelo de gestão baseado nos princípios da gestão dos processos, da garantia e do controle da qualidade (GRAÇA, 2005, p. Quando se monitora os processos do laboratório de microbiologia, consegue-se identificar os erros, analisar suas causas e realizar intervenções para prevenir a recorrência de tais eventos, melhorando a qualidade dos resultados e a segurança do paciente (GOODYEAR, et al. Na primeira etapa, foi realizada uma pesquisa exploratória documental, através de um estudo bibliográfico das teorias, práticas e legislações de controle e gestão da qualidade em laboratórios clínicos, com ênfase na área de análise microbiológica. Esta fase visou demonstrar a função do laboratório de microbiologia, as fases de um processo total de exame, com suas respectivas demandas, a importância da qualidade e da biossegurança no setor, bem como sua importância no contexto hospitalar, reduzindo as infecções hospitalares e a resistência bacteriana.

Para esta pesquisa exploratória documental, foram consultadas publicações nacionais e internacionais sobre o tema, em legislações, revistas especializadas, teses, dissertações e pesquisa eletrônica. As bases de dados pesquisadas foram: SCIELO – Scientific Eletronic Library on Line; LILACS – Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde e MEDLINE – MEDlars on Line. Foram utilizados para a realização da pesquisa os seguintes descritores: “laboratório clínico”; “laboratório de microbiologia”, “controle de qualidade”, “gestão laboratorial”; “gestão da qualidade”; “clinical laboratory”; “microbiology laboratory”; “quality control”; “laboratorial management”; “quality management”. Fase Pré-Analítica A fase pré-analítica que consiste na preparação do paciente, coleta, manipulação e armazenamento da amostra, bem como o correto registro do paciente e da amostra antes da determinação analítica, ou seja, compreende tudo que precede o ensaio laboratorial, dentro ou fora do laboratório de análises clínicas (CRF-SP, 2007; OPAS/ANVISA/SVS, 2006, HAWKINS, 2012).

Dessa forma, deve-se buscar qualidade durante toda essa fase, mantendo um determinado controle desde a requisição feita pelo médico até o processamento anterior à análise (CARRARO & PLEBANI, 2007; PLEBANI, 2006 e 2010). Qualquer informação que tenha a possibilidade de gerar diagnóstico no laboratório de microbiologia depende em grande parte da amostra enviada.  Isto é, a amostra não só tem que ser apropriada, mas também deve atender a certos requisitos para garantir a sua adequação e, consequentemente, a qualidade do trabalho.  A adequação das amostras enviadas depende do cumprimento de uma série de passos ou regras relativas: procedimento para a obtenção, a quantidade enviada e o transporte rápido e adequado para o laboratório. O transporte deve ser realizado de forma adequada e em meio adequado, não podendo haver demora entre o momento da coleta e a chegada a área de teste, para que a amostra não sofra alterações que prejudiquem a análise, consequentemente, laudos errados (PETERSON et.

al, 2001). c) Verificação da amostra e do formulário de solicitação É imprescindível fazer-se a verificação das amostras no ato de seu recebimento, para saber se o envio na mesma foi adequado, se a requisição médica está devidamente preenchida e se o espécime colhido está de acordo com o que foi solicitado no formulário (ARORA, 2004). Os critérios de aceitação e rejeição de amostras são imprescindíveis e devem fazer parte do POP de coleta, pois são requisitos necessários para um processamento ideal. Por isso, é necessário que o laboratório defina e informe tais dados ao prescritor do exame e da equipe que o assessora (GUERRERO & CARRILLO, 2003; ARORA, 2004).  A qualidade dos reagentes recém-adquiridos deve ser validada com o controle de qualidade adequado, antes do uso.

Todos os dados de validação devem ser corretamente documentados e se tais insumos forem preparados no próprio laboratório, também devem ser verificados periodicamente quanto sua estabilidade e mantidos os devidos registros (ARORA, 2004; GUROL et al. Meios de Cultura e Discos de Antimicrobianos A qualidade dos meios de cultura depende diretamente da qualidade dos insumos utilizados durante seu preparo, bem como, da correta documentação dos lotes. Para os meios preparados no laboratório, deve-se fazer o devido registro do total de meio preparado, o número do lote, o método utilizado para esterilizá-lo, a data em que foi preparado, o pH, a data de validade e o nome do técnico responsável por tal processo. Para os meios comerciais, deve-se registrar o número do lote e a data de recebimento.

 Meios que consistem em vários produtos não-estéreis, ou seja, sangue, soro, glicose, antibióticos, quaisquer outras soluções instáveis ​​ao calor ou que não sejam filtráveis, podem requerer, um controle de esterilidade mais específico por incubação de todo o lote por pelo menos 3 dias e, se a contaminação exceder a 10%, todo o lote deve ser descartado (ARORA, 2004). A verificação da atividade /potência de cada lote de discos de sensibilidade antimicrobianos deve ser realizada antes que estes sejam utilizados, pelo menos semanalmente com estirpes de referência do tipo CLSI.  As fitas usadas para a identificação, devem ser verificadas, também  da mesma forma (ROY, 2010; SEJAS, 2003). Além do registro da data de vencimento/validade dos discos antimicrobianos e/ou fitas, o laboratório também deve armazená-los apropriadamente, de acordo com as condições descritas pelo fabricante, de forma a assegurar a qualidade dos testes de sensibilidades frente a tais agentes (OPAS/ANVISA/SVS, 2006; SEJAS, 2003).

b) Equipamentos e Instrumentos Dentro de um sistema de gestão da qualidade de um laboratório, todos os equipamentos e instrumentos devem sofrer calibrações e deve-se manter o registro do desempenho dos mesmos. c) Análises O sistema de qualidade adequado em um laboratório clínico deverá aplicar sinergicamente dois tipos de mecanismos para as análises, os quais devem ser utilizados também no setor de microbiologia: o controle interno e o controle externo de qualidade (GRAÇA, 2005; CONTROLLAB, 2011). Controle Interno da Qualidade (CIQ) O controle interno da qualidade compreende todos os processos realizados por um laboratório para a avaliação contínua de suas tarefas. O principal objetivo é garantir a consistência dos resultados diários e sua conformidade com critérios definidos (LOPES, 2003; NUNES & ARAÚJO, 2008; ROY, 2010; CONTROLLAB, 2011).

Através dele, é possível fazer o reconhecimento de erros que surgem dentro do laboratório durante a fase analítica; tomar medidas para minimizar os erros; fazer a validação dos métodos e da calibração dos equipamentos. As verificações de controle de qualidade devem ser empregadas tanto para testes quantitativos quanto para os qualitativos e serão determinadas de acordo com a necessidade de cada método (ROY, 2010).  Isto permite uma comparação de qualidade entre laboratórios (ROY, 2010). A participação do laboratório em um programa de CEQ é um elemento essencial para informar tanto os prestadores, como os usuários sobre a qualidade do serviço prestado.  Tais programas têm um componente educativo importante e podem incluir tanto o serviço analítico de um laboratório quanto às interpretações dadas  por membros individuais da equipe e são destinados não apenas a detectar problemas no laboratório, mas também a verificar a validade de todo o sistema da qualidade do mesmo (ANVISA, 2006).

Uma análise de CEQ deve incluir teste com os patógenos principais.  Este teste não deve ser demasiado complicado, dispendioso, ou demorado. O farmacêutico ou outro responsável técnico da área poderá participar de forma ativa junto à Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), fornecendo informações epidemiológicas sobre os diversos agentes etiológicos de infecção hospitalar e seus perfis de sensibilidade, além ter conhecimento sobre a importância de armazenamento de cepas que sejam interessantes para futuras pesquisas (OPAS/ANVISA/SVS, 2006). Fase Pós-Analítica A fase pós-analítica que é a parte final do processo, onde o resultado gerado na fase analítica recebe a liberação técnica e finaliza-se após a emissão de um laudo diagnóstico pelo farmacêutico ou profissional habilitado (CRF-SP, 2007; OPAS/ANVISA/SVS, 2006).

Para assegurar a qualidade, deve-se também haver uma preocupação com esta etapa, pois é a última fase de todo o processo do laboratório e, é através dela, que os resultados serão informados ao cliente/médico (ARORA, 2004). Dessa forma, é conveniente que sejam utilizados POPs. Esses documentos precisam incluir informações e verificações dos resultados dos testes microbiológicos, descrevendo todos os procedimentos dessa fase, onde se tenha a preocupação de fazer a averiguação da concordância dos resultados analíticos com a informação clínico-epidemiológica do paciente, a transcrição fiel dos resultados e o envio dos mesmos ao solicitante. Os laboratórios de microbiologia devem utilizar  procedimentos  de controle de qualidade para garantir a precisão, confiabilidade e reprodutibilidade dos testes usados ​​para a identificação, isolamento e a avaliação de suscetibilidade de microrganismos aos antimicrobianos.

A extensão do controle de qualidade a ser realizado, deverá ser determinada através de ensaios clínicos realizados pelo laboratório (OPAS /ANVISA/SVS, 2006; FERNANDES, 2009; COLLEGE OF PHYSICIANS & SURGEONS OF SASKATCHEWAN, 2010). A importância do controle de qualidade no laboratório de microbiologia clínica é descrita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), em seu módulo II de Segurança e Controle de Qualidade no Laboratório de Microbiologia Clínica: O laboratório clínico de microbiologia é responsável em providenciar informação precisa e relevante quanto ao diagnóstico do paciente. O valor e a precisão clínica das análises do material clínico e o respectivo isolamento do microrganismo são dependentes do programa de qualidade, que por sua vez, avalia a qualidade do material; documenta a validade do método aplicado; monitora a performance dos procedimentos, reagentes, meios, instrumentos e do indivíduo que executou a análise; e verifica os resultados do teste quanto aos erros e relevância clínica.

Um programa de qualidade efetivo depende de um processo de avaliação contínuo e do seu aprimoramento (ANVISA, 2004 a, p. De acordo com as atividades/funções do setor, elas podem ser muito rigorosas para os agentes mais perigosos e menos exigentes para os que causam problemas menores e devem ser vistas e realizadas com seriedade pelos técnicos da área, que ficam expostos a prováveis riscos biológicos, principalmente em ambiente hospitalar (SINGH, KANAGASABAPATHY & CHAKRABORTY, 2008; BOBADILLA et al.   Em biossegurança se utiliza o termo contenção, que descreve os métodos utilizados na manipulação de materiais infecciosos em laboratórios.  Sua finalidade  é minimizar a exposição do corpo técnico e/ou outros e do ambiente a agentes potencialmente ameaçadores. Para que seja determinado o nível de contenção, são usadas combinações de três elementos de segurança biológica: correta técnica microbiológica,  equipamentos de segurança, como os EPIs e os EPCs, além dos tipos de instalação adequados.

Cada combinação é dada de acordo com os tipos específicos de procedimentos a serem realizados, as vias de transmissão dos microrganismos infecciosos e as diferentes funções  ou atividades laboratoriais (BOBADILLA et al. Laboratórios de ensino. • NB-2: Agentes associados com doença humana com poucos riscos para os profissionais de laboratório. Nesse caso os riscos individuais são moderados e os coletivos são baixos. Ex. Laboratórios de pesquisas clínicas e biomédicas. O pessoal do laboratório deve ter treinamento técnico específico no manejo dos agentes patogênicos e devem ser supervisionados por profissionais competentes; durante os procedimentos operacionais, a entrada de pessoas no laboratório deve ser limitada; determinados procedimentos nos quais exista a possibilidade de formação de aerossóis infecciosos devem ser realizados em cabines de segurança biológica ou outro equipamento de contenção física (FUNASA, 2001; SINGH, KANAGASABAPATHY & CHAKRABORTY, 2008; ANVISA, 2004 a).

A contaminação microbiológica é um grande risco em laboratórios de microbiologia clínica, podendo gerar infecções não só para seus funcionários, mas também para quaisquer outras pessoas que entrem no laboratório, incluindo porteiros, pessoal de escritório, da manutenção, funcionários do hospital e para os visitantes.  O risco de infecção é determinado pela frequência e tempo de contato com o agente infeccioso, a sua virulência, a quantidade e a via de contato, bem como a susceptibilidade do hospedeiro.  O perigo de qualquer agente infeccioso é dado por fatores tais como o volume de material infeccioso utilizado, o manuseio do material, a eficácia do equipamento de contenção, a segurança e a confiança dos métodos do laboratório (SINGH, KANAGASABAPATHY & CHAKRABORTY, 2008; BOBADILLA et al.

Os fluidos corporais são considerados potencialmente infectantes, devendo ser manuseados de forma adequada. O desenvolvimento da resistência bacteriana aos antimicrobianos, que tem sido um problema não só para a sociedade, mas também para as instituições de saúde. Entretanto, nos hospitais, a transmissão cruzada é intensificada, dada a população altamente susceptível. A resistência e a sua disseminação entre bactérias, é geralmente consequência da pressão seletiva dos antibióticos. O uso contínuo de antimicrobianos aumenta essa pressão, favorecendo a multiplicação e disseminação de estirpes resistentes. O uso inapropriado e não controlado, desses agentes, a prescrição excessiva, a administração de doses sub-terapêuticas, a duração insuficiente de tratamento e os erros laboratoriais de diagnóstico, levam à escolha incorreta de fármacos, contribuindo para esta situação (WHO/CDS/CSR/EPH, 2002).

 As funções, responsabilidades e autoridade de todos os funcionários devem ser definidos para assegurar o estabelecimento, implementação e manutenção do preceito citado. Essa liderança também deve ser responsável pelo  estabelecimento dos objetivos de qualidade e realizar o seu planejamento; realizar a elaboração de um manual da qualidade; nomear um gerente da qualidade; estabelecer procedimentos para controle de documentos; estabelecer um procedimentos para o controle  de processos e  registros de qualidade; estabelecer procedimentos para a coleta, controle  e análise de material clínico (STANDARDS FOR THE MEDICAL LABORATORY CLINICAL PATHOLOGY ACCREDITATION (UK), 2007). Deve ser nomeado pela gestão do laboratório um gerente de qualidade. Ele será o indivíduo que garantirá, em nome da mesma,  que o sistema de gestão da qualidade funcione  corretamente.

Tal indivíduo tem o papel de ser o representante da administração, podendo ou não, ter outras responsabilidades no laboratório, devendo ter autoridade  para  assegurar que o sistema de gestão da qualidade seja implementado e mantido; deve relatar à sua liderança  sobre o funcionamento e a eficácia do referido sistema e deve ter a consciência de coordenação das necessidades e exigências do laboratório e dos seus usuários (STANDARDS FOR THE MEDICAL LABORATORY CLINICAL PATHOLOGY ACCREDITATION (UK), 2007). Manual da Qualidade O manual da qualidade é um documento que especifica o sistema de gestão da qualidade de uma organização e pode variar em detalhe e formato para se adequar ao perfil e complexidade de uma organização individual. Ele deve ser elaborado pela gestão do laboratório e deve incluir uma política de qualidade, uma descrição do sistema de gestão da qualidade, apresentação da estrutura organizacional, descrição das funções e responsabilidades  do gestor do laboratório, incluindo o gerente de qualidade, de forma a assegurar o cumprimento das normas de qualidade; um esboço da estrutura da documentação usada no sistema de gestão da qualidade e a inclusão do POP para cada processo.

Além disso, tal manual deverá ser revisado regularmente e atualizado conforme as necessidades e todos os funcionários devem ser informados sobre quaisquer alterações a que este seja submetido (STANDARDS FOR THE MEDICAL LABORATORY CLINICAL PATHOLOGY ACCREDITATION (UK), 2007). Procedimento Operacional Padrão Para melhoria na qualidade dentro do laboratório recomenda-se a elaboração de um procedimento operacional padrão (POP). Ele é um documento que contém  instruções escritas, que devem ser simples e com uma linguagem fácil de entender, de forma a descrever,  passo-a-passo,  os processos para a realização da técnica de um teste ou procedimento do laboratório. Controle de documentos O controle de documentos de um laboratório é uma parte essencial de um sistema de gestão da qualidade. A liderança deve estabelecer um procedimento para controlar todos os documentos, gerados tanto internamente quanto externamente.

Esse tipo de procedimento  deve assegurar que todos os documentos sejam aprovados para uso, por pessoal autorizado  antes de sua emissão e estes devem conter um título de identificação específico;  data de revisão/emissão ou versão de revisão; o número total de páginas e o nome do autor. Também deve haver uma lista mestra de fácil acesso ou procedimento de controle de documentos equivalentes, que identifiquem as revisões atuais e a distribuição de documentos, para impedir a utilização daqueles que sejam inválidos e/ou obsoletos (STANDARDS FOR THE MEDICAL LABORATORY CLINICAL PATHOLOGY ACCREDITATION (UK), 2007). Todos os documentos devem ser legíveis, prontamente identificáveis ​​e recuperáveis, regularmente revisados e atualizados quando necessário, além de disponíveis em locais apropriados e de fácil acesso para a equipe (STANDARDS FOR THE MEDICAL LABORATORY CLINICAL PATHOLOGY ACCREDITATION (UK), 2007).

Os objetivos dos indicadores de qualidade, a sua metodologia e a duração da medição devem ser estabelecidos pelo gestor da qualidade antes de sua implementação, devendo ter definições e interpretações claras e inequívocas, onde a capacidade de medí-los é um pré-requisito para a sua implementação bem sucedida. Eles podem monitorar a qualidade dos processos, a satisfação e reclamações tanto do usuário/cliente, como dos trabalhadores; a segurança no ambiente do laboratório e a educação continuada. Dessa forma, pode fornecer dados valiosos para a melhoria contínua da qualidade (STANDARDS FOR THE MEDICAL LABORATORY CLINICAL PATHOLOGY ACCREDITATION (UK), 2007; ŠIMUNDIĆ & TOPIĆ, 2008, VIEIRA et al. Exemplos de indicadores de qualidade são exemplificados abaixo, segundo as fases laboratoriais: Fase pré-analítica: pedido errôneo; erro na identificação do paciente; amostra inadequada; falta da amostra (amostra perdida ou não recebida); recoleta; erros na abertura de cadastro; amostras solicitadas e não coletadas; falhas na coleta; problemas no transporte das amostras; etc.

Fase analítica: dos resultados do Controle Interno da Qualidade; percentuais inaceitáveis dos resultados do Controle Externo da Qualidade. Não se podem gerar laudos confiáveis se em alguma das fases do processo não houve qualidade. Qualquer engano poderá influenciar negativamente no tratamento do paciente, podendo ocorrer escolha de antibióticos inadequados, tratamento do paciente errado e/ou da doença errada. Esse fato se torna muito importante principalmente quando o paciente apresenta uma doença que seja aguda e/ou que tenha alta gravidade, podendo aumentar o índice de morbidade e mortalidade. Schofield (2006) afirmou que um resultado falso-positivo ou um resultado falso-negativo, ocasionados por erros de laboratório, gera um laudo incorreto e pode afetar a morbidade e a mortalidade do paciente. Como forma de comprovar que existem problemas no laboratório, a experiência de Gurol et al.

 Segundo o mesmo autor, a principal razão para esta negligência são questões de gestão, devido a diferentes interferentes: funcionários do laboratório, os médicos, os profissionais que fazem a coleta do material e os carregadores envolvidos no processo total de um exame. Mangels (2008) diz que a revisão de diversos fatores da fase pré-analítica pode ajudar a controlar problemas como a real necessidade na solicitação de exames, a freqüência em que são solicitados, a amostra que está sendo coletada e como ela está sendo coletada, transportada e conservada. Para que tais fatores sejam controlados deve-se melhorar a educação da equipe médica e de enfermagem, podendo ser um dos mais importantes mecanismos de implementação efetiva de mudança nas práticas laboratoriais e de fornecimento de orientações sobre as amostras.

Preocupando-se com o médico a ANVISA (2004b) também afirma que o envolvimento dele com o laboratório de microbiologia pode ser muito útil para ambos os lados, favorecendo uma melhor orientação técnica, que ofereça mais objetividade ao exame realizado, ajudando na interpretação dos resultados. As pesquisas feitas por Guerrero & Carrillo (2003) e Arora (2004), mostram que, para que o laboratório possa obter um resultado confiável, não basta que execute as técnicas de forma correta; é necessário que receba uma amostra adequada em quantidade suficiente, em recipiente apropriado, bem identificada, conservada e transportada corretamente. Outro fato que pode ser destacado são as ações educativas junto a equipe de enfermagem, que também  é fundamental para o sucesso do laboratorial. Tais profissionais devem sentir-se parte da solução, parte integrante do laboratório, ao invés de apenas seguirem regras ditadas.

O laboratório necessita envolvê-los positivamente no processo, já que podem representá-lo "de fato", por conseguirem interagir com o médico mais do que a equipe laboratorial e também porque, muitas vezes, realizam a coleta de alguns tipos de amostras. Quando se pensa na amostra ideal, deve-se ter em mente que não basta fazer uma coleta. É necessário que o laboratório consiga implementar ações que melhorem sua qualidade. diz que apesar da freqüência de erros encontrados na mesma ser menor do que das outras (estimada entre 7% e 12%), elas continuam a ser significativas,  mesmo estando regulamentados os controles de qualidade na área. Dessa forma, também deve estar sendo continuamente monitorada, pois os testes de microbiologia clínica são de interpretação subjetiva e há forte dependência do trabalho manual, os profissionais devem ter o conhecimento das técnicas e seguir cuidadosamente os POPs da área, para então podem gerar resultados confiáveis.

De acordo com a pesquisa realizada por Yuan et al. os erros que ocorrem dentro do laboratório são mais propensos de serem identificados e corrigidos do que os erros que ocorrem fora do laboratório. Constatou-se, então que a fase analítica era inteiramente ou parcialmente responsável por todos os casos de eventos adversos ocorridos no hospital. Dessa forma, a gestão e/ou gerente da qualidade também tem papel imprescindível na escolha do fornecedor dos insumos laboratoriais, que só devem ser adquiridos de empresas confiáveis. Deve-se pensar que é muito importante qualificar os fornecedores e, os que passarem por este processo e estiverem aptos, devem ter como objetivo fazer parte da qualidade do laboratório. É necessário ter em mente a importância da implantação de programas criteriosos de controle de qualidade, de forma a verificar a qualidade de todos os insumos adquiridos, para que não ocorram resultados equivocados.

Os técnicos do setor devem também ser orientados adequadamente sobre os problemas que podem ser gerados por mau armazenamento dos discos antimicrobianos e esse procedimento deverá ser supervisionado, de forma a manter sua qualidade. Além disso, a escolha do correto meio de cultura também é muito importante, bem como a forma como é feito. Qualidade em microbiologia nos faz lembrar também da biossegurança. Dessa forma deve-se pensar que o controle de qualidade de um serviço de microbiologia está intrinsecamente ligado à biossegurança, já que neste ambiente estão envolvidas, principalmente, situações de risco biológico. Todas as ações realizadas dentro do laboratório devem seguir as Boas Práticas de Laboratório, para garantir um ambiente de trabalho seguro e condições adequadas para que os pacientes conseguir diagnósticos confiáveis.

Sendo assim a simples implantação do manual de biossegurança e sua correta utilização podem ajudar na minimização de custos em relação a contaminação, eliminando também os riscos para o pessoal do laboratório, para a comunidade e para o meio ambiente. No estudo de Costa (2010) foram observados resultados insatisfatórios na avaliação dos procedimentos executados para gerenciamento da qualidade do laboratório de microbiologia, onde apesar de 76% dos laboratórios terem citado realizar controle externo de qualidade, somente 43% realizavam controle interno com cepas padrão e somente 16% tinham um manual de procedimentos operacional padrão (POP) implantado, onde dos laboratórios certificados não possuem tais documentos no setor, demonstrando a necessidade da implementação de um sistema de gestão da qualidade para o setor.

Dessa forma, apesar de ser um grande desafio para o laboratório, a implementação da gestão da qualidade, poderá desempenhar um papel importante na diminuição dos erros e na melhoria da segurança do paciente. Standards For The Medical Laboratory Clinical Pathology Accreditation (UK) (2007), relata que quando se quer implantar um verdadeiro sistema de qualidade é muito importante que se registre todas as ações realizadas no laboratório. Essa afirmação é válida, pois todas as ações dentro e fora do laboratório devem ser devidamente registradas, já que não se pode dizer que existe uma informação que não foi registrada, ou seja, não haverá indícios de que ela aconteceu. O não-registro implicará na dificuldade detectar não-conformidades e de implantar ações corretivas e/ou preventivas para a melhoria do sistema.

Além disso, se houver fiscalização no setor, não se poderão comprovar as ações realizadas, podendo gerar multas ou até o fechamento do laboratório. Eles ajudaram no controle das não-conformidades e na escolha do método ideal para a determinação de quais ações corretivas e preventivas serão utilizadas, pois quando se conhece o problema é mais fácil planejar ações que venham a minimizá-lo ou estirpá-lo do processo. Quando se associa ferramentas, consegue-se mais subsídios para a detecção de erros, o planejamento de ações positivas que venham colaborar para que o laboratório possa ser visto como um todo, não apenas em partes, em fases. Dessa forma, com uma visão global, um sistema de gestão da qualidade pode funcionar de fato, gerando melhorias para o setor.

Além disso, deve-se também estabelecer um processo de melhoria global, que venha a atender toda a demanda de um laboratório, que gere funcionários mais satisfeitos e que se sintam parte integrante de um bem maior: a qualidade de vida do paciente. Para isso, apesar de custoso, é interessante que o laboratório se envolva num programa sério de acreditação em qualidade. Este setor serve diretamente ao paciente através da detecção precisa e oportuna de microrganismos infecciosos, sendo fundamental para a qualidade tratamento de doenças infecciosas.   O êxito na detecção e interpretação de resultados exige claramente recursos adequados, médicos e técnicos especialmente treinados supervisores de laboratório com treinamento em microbiologia, ou seja, a adequada qualificação.   O laboratório de microbiologia também é um componente crucial da equipe de controle de infecção hospitalar e é um co-responsável pela prevenção de infecções associadas à saúde, promovendo assim, além de bons resultados no cuidado de pacientes, a diminuição de custos.

Deve garantir a qualidade de todos os procedimentos, desde a requisição médica até a entrega do laudo, que deve apresentar resultados confiáveis. Dessa forma, a implantação da gestão da qualidade no setor é extremamente importante para que este venha cumprir eficientemente seu papel na prevenção e controle de infecções e da resistência microbiana em ambiente hospitalar, minimizando o tempo de internação do paciente e os custos hospitalares. ANVISA (Brasil). Habilitação para Laboratórios de Microbiologia. Séries Temáticas: Laboratório. Vol. ARORA, D. MS/GM, de 12 de maio de 1998. Define diretrizes e normas de um Programa Nacional de Controle de Infecção Hospitalar. Disponível em: <http://elegis. bvs. br/leisref/public/showAct. COSTA, Luciano Bello. Análise dos dados obtidos em um inquérito para avaliar a qualidade de 467 laboratórios de microbiologia no Brasil.

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Jornal Bras. Patol. Med. Nº 66. Nov-Dez. WHO/CDS/CSR/EPH. Prevenção de infecções adquiridas no hospital. Instituto Nacional de Saúde Dr.

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