Religião, quando é fanatismo

Tipo de documento:TCC

Área de estudo:Gestão de crédito

Documento 1

  Aquele, ainda que  tem dedicação, admiração ou amor exaltado a alguém ou algo.   E por fim, acrescenta o dicionário: é alguém entusiasmado, apaixonado. O fanático se exprime no transporte do furor divino.   A infinitude de um deus escolheu sua finitude humana para fazer ressoar no mundo uma verdade soberana. Reduzindo-se a nada, anulando-se em seus desejos e aspirações para ser porta-voz desse Deus, o fanático corre o risco de olhar os outros com os mesmos olhos inclementes e frios com os quais se olha a si mesmo. E pode ver com frieza e indiferença a anulação daqueles que não partilham seus sentimentos. E como acredita que nele se encarna a mensagem divina, para ser digno de algo tão elevado, exige de si mesmo uma renúncia aos prazeres de ser humano e só pode voltar-se para os rigores mais desumanos.   O fanatismo converte muitas vezes, portanto, o ser humano em um espírito que se arranca do corpo e da terra para melhor governa-los em nome do céu. Wilhelm Reich já denunciou os estragos causados por esta inclemência que reprime e esmaga os desejos legítimos do corpo e da matéria.  Existe um puritanismo da ordem que acaba desembocando em desumana crueldade.   A pureza da raça exige a grande limpeza dos campos de concentração, a pureza da religião necessita fogueiras e guilhotinas, o Gulag salva um certo marxismo de revisões que lhe perturbariam a claridade.

Examinando, com um certo recuo no tempo, os conflitos religiosos que levantaram um contra outro justos e injustos em nome da fé e da religião, constata-se aí uma deformação de base que está na raiz do problema.   O desprezo do prazer e do gozo como manifestação de vida conduz o indivíduo, tanto quanto a sociedade, a uma esclerose do comportamento que é terreno fértil e propício  para o fanatismo e a violência. Se existe e pode existir em cada um uma propensão para o fanatismo ordinário, ela se deve não à natureza humana, mas a sua deformação.   Que a ética e o dever sejam irreconciliáveis para alguns indivíduos ou sistemas com o sentimento de felicidade e serenidade indica suficientemente a lacuna do viver que produz a inflação dos valores destrutivos de si e dos outros, que se denominam intransigência, intolerância, inclemência, violência, enfim.

Indica, enfim, que o fanatismo não permite contemplar coisa alguma a não ser com os olhos da morte. As três religiões monoteístas, o cristianismo, o judaísmo e o islamismo são consideradas,  - a meu ver um pouco precipitadamente, -  religiões de conquista. Por isso - afirmam alguns -  a violência estaria de uma maneira ou de outra presente dentro da história dessas religiões e mesmo da sua constituição, do seu corpo doutrinário e do seu corpo jurídico.   O fato de serem religiões monoteístas já as torna por si mesmo eivadas de uma certa excludência, pois crer num Deus único significa recusar todos os outros.   E essa excludência das demais divindades resultaria na excludência da crença dos outros em suas divindades , o que terminaria resultando em fanatismo e violência com consequências cruentas e deploráveis.

  Diferente na sua crença, no exercício da sua religião, na maneira de dize-la e de propor-la. Aí a tentação do fanatismo ronda, o entusiasmo experimentado e que deu sentido à própria vida se universaliza e totaliza, convertendo-se em unicidade excludente das diferenças do outro, que sente e experimenta de outro modo.    Daí para a diabolização do outro, na sua alteridade, a distância é pequena se a vigilância da tolerância não for exercida e exercitada com pertinácia e perseverança.    E se o Deus do outro começa a adquirir a forma de um demônio, corremos o risco de encontrarmo-nos  a um passo de uma luta de deuses. Ao longo da história da religião, vários pensadores que marcaram o mundo ocidental levantaram suas vozes para criticar a violência.

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