MERCADO DE CRÉDITO NO BRASIL: Análise do endividamento das pessoas físicas, no período de 2003 a 2016

Tipo de documento:Redação

Área de estudo:Economia

Documento 1

cidade – RR 2017 nome MERCADO DE CRÉDITO DO BRASIL: Análise do endividamento das pessoas físicas, no período de 2003 a 2016 Monografia apresentada ao Departamento de Economia da Universidade Federal de Roraima, como requisito para aprovação no curso de Ciências Econômicas, sob a orientação da professora Prof. Prof. Orientador/Departamento __________________________________________________ Prof. Dr xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Membro/Departamento ___________________________________________________ Prof. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Membro/Departamento Boa Vista, RR ____de ________________2017. AGRADECIMENTOS DEDICATÓRIA EPÍGRAFE “A economia é uma virtude distributiva e consiste não em poupar, mas em escolher”. Edmund Burke. RESUMO Este trabalho tem como objetivo analisar o endividamento das pessoas físicas, no período de 2003 a 2016, buscando verificar os fatores que contribuíram para a expansão do crédito das mesmas, à luz da teoria econômica e de referências históricas selecionadas. Desta forma a pesquisa se desenvolveu a partir de estudo de artigos, teses e publicações acadêmicas e pesquisa bibliográfica, que versa sobre o tema acima citado. A pesquisa buscou identificar os fatores que contribuíram para o endividamento e o reflexo da inadimplência na economia. O estudo se justifica por contribuir no processo compreensão da influência das linhas de crédito no aumento da inadimplência no Brasil no período estudado. Sendo assim, busca-se ao término da pesquisa, com o atendimento da questão problema, conhecer as causas e consequências do endividamento. Entre os fatores que levam a inadimplência, a pesquisa buscará elucidar qual é a relação entre o crédito e a inadimplência.

Para tal, busca-se ao término da pesquisa, com o atendimento da questão problema, conhecer as causas e consequências do endividamento e assim poder contribuir com políticas que visam à redução do endividamento que leva a adimplência. Palavras-Chave: Brasil; Pessoa Física; Endividamento; Inadimplência; Crédito. ABSTRACT The objective of this study is to analyze the indebtedness of natural persons, from 2003 to 2016, in order to verify the factors that contributed to the credit expansion of the same, in light of the economic theory and selected historical references. In this way the research was developed from a study of articles, theses and academic publications and bibliographical research, which deals with the above mentioned theme. The research sought to identify the factors that contributed to the indebtedness and the reflection of the default in the economy.

The study is justified because it contributes to the process of understanding the influence of credit lines on the increase of defaults in Brazil in the period studied. Thus, the search for the end of the research, with the answer to the problem question, is to know the causes and consequences of the indebtedness. Sociedade de crédito, Financiamento e Investimento 22 2. Cooperativas de crédito 22 2. Sociedades Corretoras e Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários 23 2. Sociedades distribuidoras 23 2. Sociedades de arrendamento Mercantil 24 2. Planejamento Financeiro 44 4. Despreparo Diante de Alguma Adversidade 45 4. Compulsividade 46 4. Desemprego 48 5. DADOS DE INADIMPLÊNCIA E ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLAS BRASILEIRAS 50 6. Considerando que a atual conjuntura econômica, é de proporcionar o fácil acesso a créditos, financiamentos, entre outras é vista pelos pensadores como estimulador da economia pelo fato de estimular a demanda.

Sendo assim, as condições impostas pelo credor são na maioria das vezes aceita, mas não totalmente cumpridas. O descumprimento do acordo imposto pelo credor leva o cidadão a ter seu nome inscrito em órgãos que o impedem de conseguir outras formas de crédito. Segundo Teixeira (2001), a inadimplência é a falta de pagamento; inadimplemento é o termo jurídico utilizado, em regra, para designar uma situação de não cumprimento de cláusula contratual; insolvência é a perda total de capacidade de pagamento. No Brasil, os órgãos reguladores de crédito são o SPC e o SERASA. Para tal a pesquisa tem uma abordagem descritiva, tendo se desenvolvida a partir de estudo de artigos, teses e publicações acadêmicas e pesquisa bibliográfica, que versa sobre o tema acima citado.

Para a pesquisa foi utilizado o indicador de registro de inadimplência. Sendo este elaborado a partir da quantidade de novos registros de dívidas vencidas e não pagas informados pelas empresas credoras. Deste modo, para alcançar o objetivo geral deste trabalho, várias etapas foram executadas: A primeira etapa constitui-se na coleta e na análise do material, a ser utilizado, relativo ao tema de pesquisa. Depois se fez necessário fazer uma seleção do material pertinente ao tema desta pesquisa. O terceiro e último capítulo apresenta os dados do endividamento e da inadimplência no Brasil no período de 2003 a 2016. MERCADO DE CRÉDITO NO BRASIL De acordo com Barone (2008), o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-06) representou uma ruptura com o modelo político vigente no país dos últimos 20 anos.

A partir de 2003, uma nova equipe de policy makers optou pela manutenção da política econômica do governo anterior, porém o conceito de acesso ao crédito passou a ser entendido como o conceito de micro-finanças, em sentido mais amplo, principalmente com a bancarização das camadas mais baixas da população (base da pirâmide social) e a concessão de crédito indistintamente para consumo ou produção, pelo sistema financeiro nacional. Os bancos públicos — Caixa Econômica Federal, por meio do Caixa Aqui, e o Banco do Brasil, por meio do Banco Popular do Brasil — tiveram papel fundamental nesse processo, operando grande rede de correspondentes bancários, em padarias, mercados e farmácias, por meio de POS (point of sale). Incluir uma grande massa de pessoas no sistema financeiro nacional passou a ser a tônica principal das políticas públicas de acesso ao crédito nesse período.

Por mais velho que seja o nascimento do crédito, sua utilização requer cuidados, não somente pela parte do emprestador, mas também pelo lado da pessoa que empresta, pois sempre haverá a possibilidade de calote. No brasil essa pratica de empréstimo já é muito utilizada e no decorrer do trabalho será explanado como é esse mercado. De acordo com Assaf Neto e Silva (2002), o crédito é um acordo de troca, porém, para tempos diferentes. É uma aquisição de algum bem presente para proporcionar pagamentos futuros. Tal acordo pode ser expresso de várias maneiras, como por exemplo, duplicatas a receber, nota promissória, cheque pré-datado, entre outros. É formado por bancos, cooperativas, associações e outras sociedades, isto é, quem faz parte do mercado financeiro. Sendo assim, serão apresentados alguns dos principais agentes fomentadores de crédito.

No Brasil a pratica de empréstimo já é muito utilizada e no decorrer do trabalho será explanado como é esse mercado, portanto não podemos chegar ao nosso objetivo de estudo sem citarmos como é o mercado de crédito no Brasil. O Sistema Bancário Brasileiro Para Costa Neto (2004) a atividade bancária no Brasil data de 1808, época em que foi criado o Banco do Brasil (BB). Cabe ressaltar que este era controlado pelo rei. Tais medidas se mostraram favoráveis uma vez que o total autorizado de emissões de títulos correspondia ao dobro do papel-moeda em circulação na data da promulgação do decreto. O autor explica as ações de Riu Barbosa, foram responsáveis por uma intensa expansão creditícia e especulação bancária possibilitando o incremento do número de entidades emissoras de crédito e o aumento dos limites dos mesmos.

Cabe ressaltar que em relação ao mercado de crédito nacional o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Banco da Amazônia, Financeiras, entre outras que abriram possibilidade de empréstimos entre as pessoas físicas é ínfima. Banco do Brasil É cedido que o Banco do Brasil tem grande relevância para o sistema financeiro brasileiro por ser o primeiro banco regulamentado no país. Para Ventura (2000), o Banco do Brasil (BB) é uma sociedade de economia mista, um banco comercial e um instrumento de execução da política creditícia e financeira do governo Federal, sob supervisão do Conselho Monetário Nacional. A CEF (Caixa Econômica Federal) é uma das instituições mais importantes na área da gestão de políticas públicas na contemporaneidade e atua como grande estimulador da economia.

A caixa econômica atua em vários segmentos, e hoje é uma referência no mercado de crédito. Segundo Dos Santos (2011, p. “a Caixa, ao longo de seus quase 150 anos, é a instituição pública de referência para os Segmentos sociais menos privilegiados e mais numerosos no Brasil”. Ela é a instituição oficial na disponibilização do crédito imobiliário e a instituição oficial que administra vários fundos e programas sociais do governo federal brasileiro. A CEF é uma instituição financeira pública, e desempenha atividades semelhantes a um banco comercial e como já foi dito atua com bastante força no setor habitacional, gerando renda e estimulando o crédito. Banco da Amazônia O Banco da Amazônia foi criado em 9 de julho de1942, no Governo Vargas, com o nome de Banco de Crédito da Borracha, com a missão de financiar os seringais da região.

Em 1950, o Presidente Eurico Gaspar Dutra, transformou o Banco de Crédito da Borracha em Banco de Crédito da Amazônia, passando a fomentar as atividades produtivas da indústria, do comércio e da agricultura da região amazônica. Em 1966, no Governo de Castelo Branco, recebe o nome de Banco da Amazônia S/A, quando assumiu o papel de agente financeiro da política do Governo Federal para o desenvolvimento da Amazônia Legal. A atuação do BASA consiste em fomentar o desenvolvimento econômico sustentável da Região Norte através da aplicação de recursos do FNO – Fundo Constitucional de Financiamento do Norte para atender as atividades produtivas de baixo impacto ambiental. Tais empresas oferecem plataformas de investimento pela internet (home broker), consultoria financeira, clubes de investimentos, financiamento para compra de ações (conta margem) e administração e custódia de títulos e valores mobiliários dos clientes.

Cabe frisar que as instituições atuantes neste mercado são remuneradas através de comissões e taxas, dos serviços prestados. Segundo o Banco Central, as corretoras e as distribuidoras devem ser constituídas como sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. Devendo ser supervisionada tanto pelo Banco Central quanto pela Comissão de Valores Mobiliários. São supervisionadas pelo Banco Central do Brasil através da Resolução CMN 1. É definido pela lei 6. no parágrafo único do artigo 1º como: Considera-se arrendamento mercantil a operação realizada entre pessoas jurídicas, que tenham por objeto o arrendamento de bens adquiridos a terceiros pela arrendadora, para fins de uso próprio da arrendatária e não atendam as especificações desta. Posteriormente foram introduzidas alterações com a Lei 7.

de 26/10/83. Arrendamento mercantil, também conhecido como leasing, é uma operação de financiamento com duração aproximada da vida útil do bem, em que o cliente tem a posse e o uso do bem, pagando por isso um preço geralmente mensal. Agiotagem Por volta de 1933, o consumo, a potencialidade industrial e o comércio eram apenas embrionários em relação aos dias atuais, e havia a preocupação de proteger a sociedade do agiota e do estelionatário, figuras presentes sempre que se fala em moralidade e ética nos negócios. No Brasil, deu-se início ao combate da agiotagem com o Decreto nº 22. de 07/04/33, conhecido como Lei da Usura. Esse decreto disciplinou a taxa de juros a ser cobrada e, buscou coibir a ação dos agiotas e dos estelionatários, protegendo a sociedade.

Em seu Art. º ao 15º da Lei da Usura, com a finalidade de combater os crimes contra a economia popular, visado proteger o consumidor menos informado, ou que se encontra em premente necessidade. Ainda, há o Art. da Constituição Federal, que limita os juros reais praticados no País a 12% ao ano, dispondo: "O sistema financeiro nacional é estruturado de forma a propiciar o desenvolvimento equilibrado do País e a servir os interesses da coletividade, e será regulado em lei complementar que disporá, inclusive, sobre: § 3º - as taxas de juros, nelas incluídas comissões e quaisquer outras remunerações direta ou indiretamente referidas às concessões de crédito, não poderão ser superiores a doze por cento ao ano;. No mercado de crédito citamos vários meios legais pelos quais a Pessoa Física pode conseguir crédito, porém têm-se outras formas de se consegui-lo.

Tentando conseguir empréstimos, as pessoas apelam para pequenos empréstimos que na maioria das vezes as taxas de juros são altíssimas, facilitando o empréstimo e dificultando o pagamento. Este novo momento da economia brasileira veio alterar as expectativas das instituições financeiras, que passaram a fazer projeções considerando agora um grau menor de incerteza, dando espaço para a realização de operações mais rentáveis em detrimento daquelas caracterizadas por maior liquidez. Nesse sentido, as empresas bancárias terão que reavaliar suas estratégias desconsiderando os ganhos com a inflação e estabelecendo metas a partir de um ambiente macroeconômico estável. A economia começa a reagir e as necessidades de recursos por parte das empresas e famílias também se evidenciarão.

Desta forma, com o fim das receitas oriundas do floating inflacionário, as instituições tiveram que alterar as suas estratégias de concorrência e promover operações que fossem demandadas pela população, tanto pelas famílias como pelas empresas, objetivando manter níveis altos de eficiência e lucratividade. De fato, a estabilidade da economia não somente alterou a forma de atuação da firma bancária, mas seu campo de influência atingiu toda a população de consumidores e produtores. Cabe ressaltar que, ponderando sobre o primeiro momento de expansão do crédito, o aumento da demanda por bens levou o governo a tomar algumas medidas restritivas contra uma possível retomada dos níveis de preços. A manutenção da alta taxa de juros reais e o aumento no percentual dos depósitos compulsórios foi às ferramentas utilizadas para encarecer o crédito, contrair a liquidez e assim, suportar as pressões inflacionárias.

Porém, com a alta da taxa de juros, não somente ocorre um encarecimento do crédito, mas afeta a situação de crédito dos devedores já existentes, aumentando o nível de inadimplência. Verifica-se no período o aumento do nível de inadimplência evoluindo a taxas crescentes, demonstrando uma explosão do crédito sem o acompanhamento devido da capacidade de pagamento pelos agentes demandadores. Nota-se, neste primeiro momento, uma expansão não planejada e desordenada do crédito, que influenciado pela estabilização da economia, encobriu a necessidade de se realizar uma análise mais abrangente no tocante a real situação em que os diversos setores da economia se situavam, para que fosse promovida uma expansão sustentável e segura do crédito.

Os motivos foram: i) a busca, pelos bancos, de um modo de compensar a perda com o fim da inflação; e ii) a instalação de um quadro de otimismo que, junto com a melhor previsibilidade acerca do comportamento dos preços relativos na economia elevou a demanda por empréstimos (BRAGA, 1998, p. apud SOARES, 2001, p. No segundo momento, verificou-se, junto com a forte elevação dos índices de inadimplência, talvez em decorrência do otimismo exagerado, tanto dos bancos, quanto dos tomadores acerca do desempenho da economia, graves dificuldades no sistema bancário, o que levou o governo a adotar várias medidas, das quais a mais popular foi o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro (PROER). BRAGA, 1998, p. apud SOARES, 2001, p.

Mantendo este mesmo propósito, o governo implementou diversas medidas, conforme Cintra (2006), das quais se destacam: 3. Expansão do Crédito Este período compreendido entre 2003-2007 foi marcado pela retomada dos bancos privados nacionais, buscando ganhar posições no market share e nas operações de crédito. Beneficiado por um momento de estabilidade de preços e do câmbio e, a expansão do mercado de crédito tornou-se viável e necessária para a ampliação da participação no mercado e obter receitas e lucratividade. As expectativas voltavam-se para um cenário estável e os agentes, incluindo as instituições financeiras, estão dispostos a obter maiores rentabilidades em detrimento dos ganhos com a liquidez, favorecendo a expansão do crédito. Analisando o ambiente macroeconômico, a retomada das operações de crédito pode ser notadas em relação ao próprio Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.

CINTRA, 2006, p. Crédito Direcionado O crédito direcionado, com recursos do sistema bancário, corresponde aos empréstimos que as instituições financeiras são obrigadas a alocar em setores específicos, utilizando-se de um percentual sobre os depósitos bancários em conta corrente e caderneta de poupança. Atualmente os créditos dirigidos que, utilizam-se das exigibilidades sobre os depósitos bancários, são alocados no setor rural, de habitação e microcrédito: As instituições financeiras devem alocar 25% dos depósitos à vista e 40% da poupança rural para o crédito rural. Devem também emprestar 65% dos depósitos da caderneta de poupança para o financiamento habitacional. Em junho de 2003, a Lei n. Consumo Como Forma de Abundância A expansão do crédito no Brasil veio sendo impulsionada fortemente pelo crédito pessoal, ou seja, destinado ao financiamento do consumo das famílias.

Desde 1995, este segmento veio crescendo e, já no ano de 2004, este crescimento veio em ritmo mais acentuado do nos setores de comércio, indústria, habitação e agronegócio. Grandes instituições financeiras varejistas vêm a cada ano fortalecendo suas parcerias com redes e lojas de varejo, bem como incorporando sociedades de crédito ao consumidor dentro de sua estrutura, buscando crescer sua participação no crédito consignado e também no crédito diretor ao consumidor (CDC). Cosenza e Estevez (2014) escrevem que os dividendos sociais adquiridos com a estabilização econômica eram inúmeros. Somente com o controle da inflação houve aumento expressivo dos ganhos reais para os trabalhadores. Embora não haja um arcabouço teórico articulado para justificá-lo, é lícito sugerir que ele está amparado no chamado consenso macroeconômico que preponderou até a crise global de 2008.

Por este consenso, as autoridades governamentais deveriam guiar suas políticas econômicas com base no princípio de que, para cada objetivo a ser almejado, deveria ser implementado apenas um único instrumento de política. Blanchard et al. salientam que o referido consenso se ancorava no pressuposto de que o controle da inflação deveria ficar sob o âmago estrito da política monetária que, por meio de um único instrumento “a taxa básica de juros de curto prazo, ou policy rate”, se encarregaria de manter estável o nível geral de preços. Ainda de acordo com Blanchard et AL (2010, 2013), uma vez que a inflação fosse mantida em níveis baixos e sob controle, a política fiscal teria papel secundário na determinação do produto efetivo real.

Para tanto, inúmeras são as formas de evitar esse efeito pelo lado da demanda, mas as principais utilizadas para o deslocamento da curva de demanda são a política fiscal e a política monetária. Sendo assim, pode-se explicar esses deslocamentos através de duas curvas, pelo lado da política fiscal, afetando o investimento e a poupança (IS) e pelo lado da política monetária, atuando através das taxas de juros (LM). “O modelo IS-LM, também denominado de análise de Hicks-Hansen, que está apoiado nas ideias de Keynes (1936), representa as relações entre a teoria da demanda efetiva e a teoria da preferência pela liquidez” (MATIAS-PEREIRA 2010, p. Segundo Mankiw (2009) esse modelo representa o equilíbrio entre o mercado de bens e o monetário, assim esse modelo pode ser considerado um método formal para a análise macroeconômica, pois faz a intercalação das taxas de juros para o equilíbrio de shot-run (curto prazo) dos mercados de bens, serviços, ativos e moeda.

A INADIPLÊNCIA NO BRASIL Segundo o Guia Serasa: “Como evitar a inadimplência”, Cap. Os cheques devolvidos pelos bancos por falta de fundos, sejam eles pré-datados ou não, também causam sérios problemas as empresas. Considerando-se que a inadimplência é prejudicial às organizações, é necessária a análise de suas causas para que seu índice não se eleve, e deve-se adotar medidas para não ter problemas no momento do recebimento, ou, pelo menos, minimizar os efeitos negativos causados pela inadimplência. Em um estudo sobre a inadimplência, o Instituto SEBRAE (2006) levantou suas principais causas: dificuldades financeiras pessoais, que impossibilitam o cumprimento de obrigações; desemprego; falta de controle nos gastos; compras para terceiros; atraso de salário; comprometimento de renda com outras despesas; redução de renda; doenças; uso do dinheiro com outras compras e; má fé.

O risco de inadimplência, segundo Santos (2003, p. “pode ser determinado por fatores internos e externos. Além disso, é claro, o aumento do risco induz à elevação das taxas de juros, que passam a incorporar uma taxa de risco maior. Para Paula (2013) a oferta de crédito é causa e consequência do crescimento econômico, já que propicia maior elasticidade no crescimento dos gastos dos agentes, antecipando poder de compra novo, mas, ao mesmo tempo, o próprio crescimento do produto e da renda acaba, pelo lado da demanda, por estimular o crescimento do crédito. PAULA et. al. Entretanto, após a concessão do empréstimo, espera-se que os tomadores mantenham-se leais (pontuais na amortização do em préstimo), sempre que o valor de seus recursos financeiros (renda) seja superior ao valor das prestações do empréstimo.

Os mais pobres poupam pouco e são com frequência devedores líquidos, obrigados a pagar as taxas especialmente altas que o sistema financeiro brasileiro cobra das pessoas físicas. Como discutido em Annibal (2009), não existe consenso sobre a definição operacional da inadimplência. No entanto, o Comitê de Basiléia de Supervisão Bancária (BCBS, 2006: 100) define que ela existe quando pelo menos um dos seguintes eventos ocorre: • O grupo bancário considera que é improvável que o credor pague sua obrigação integralmente e não tem como recorrer a ações como a liquidação de ativos (se houverem). • O credor está em atraso superior a 90 dias em qualquer obrigação de crédito ao grupo bancário. Saques sem disponibilidade de fundos serão considerados em atraso quando o cliente tiver superado um limite aconselhado ou se for avisado de um limite inferior à sua disponibilidade corrente.

No entanto, em 2012 houve uma queda considerável de 32,30% e nos dois anos seguinte chegou próximo à zero. Essa queda se dar por conta das incertezas do mercado, que diferente dos anos anteriores em que o governo usou políticas de expansão de crédito a partir do ano de 2012 o cenário econômico não está propicio para fazer compra e endividar-se. Nesse cenário, marcado pelo que alguns chamaram de “ressaca do crédito”, coube a educação financeira o papel de falar sobre socorro e recuperação de crédito. Os programas que obtiveram grande visibilidade nesse período, como a “Acertando suas Contas” (www. acertandosuascontas. Cada um com conceitos diferentes que levam para o entendimento do que realmente se trata a taxa de juro. Segundo Fisher (1930) “Embora qualquer definição prática e exata de uma taxa de juros pura seja impossível, podemos dizer, a grosso modo, que a taxa pura é a taxa sobre empréstimos que são praticamente destituídos de risco”.

Para Keynes (1985, p. a taxa de juros não é, em si, outra coisa senão o inverso da relação existente entre uma soma de dinheiro e o que se pode obter desistindo, por um determinado período”. Se pelo lado do emprestador, esse benefício é dado por conta dos juros, pelo lado de quem empresta não é bem assim. Porém, um bom pagador pode ser prejudicado pelo fato de o emprestador estar ciente do cenário de maus pagadores e assim elevar a taxa de juros fazendo com que haja um ciclo, que quem já está por emprestar fica receoso de solicitar esse credito e quem já emprestou sofre para pagar o que já emprestou. “A necessidade de oferecer garantias afetará não somente a taxa que o indivíduo deve pagar, mas também a quantia que pode tomar emprestado” (FISHER,1930 p.

Não obstante, podemos verificar essa relação taxa de juros com o crédito e juros com a falta de pagamento que como já foi dito impactam diretamente na inadimplência. Não devemos fixar apenas nos credores, que emprestam dinheiro com mais dificuldades, pois se não há outra forma de se conseguir alguma renda extra (que como já vimos o indivíduo não precisa do crédito somente pela necessidade, mas também para seu prazer que chamamos de “renda prazer”) ele vai em busca de outras facilidades, que pela facilidade já gera um risco de se emprestar. Assim como o tomador de empréstimo assumi um risco, quando detém a renda oferecida pelo ofertante, o emprestador assumi esse risco de não ter o seu retorno, que passa a serem os juros obtidos em cima do dinheiro emprestado.

Isto é, apesar de quando escolhido parecer o caminho mais desejável, em vista de desenvolvimentos posteriores, pode não apresentar como tal, no sentido de não merecer ter sido desejado. A outra nova característica é que o fluxo de renda mais desejável deixa de ser necessariamente sinônimo daquele que harmoniza a taxa de preferência com a taxa de juros. Segundo Fisher (1930): As taxas de preferência temporal em qualquer mercado tendem a igualdade através da prática. Da contratação de empréstimos e de emprestar, e de forma mais geral da prática de comprar e vender. Mas essa igualdade não é mais, em todos os casos, atingível devido à limitação na liberdade de modificar o fluxo de renda à vontade, limitações essas que surgem a partir da existência de elementos de risco e consequentes limitações sobre o poder de tomar emprestado (FISHER, 1930, p.

Embora a taxa de juros seja o principal fator que leva ao aumento do credito e que haja uma correlação importante com o aumento da inadimplência, não podemos descartar outras possibilidades que, embora sejam consideradas irrelevantes e muitas vezes ínfimas para medir a inadimplência, iremos considerá-las importantes para o estudo das relações psicológicas, econômicas e financeiras. Planejamento Financeiro O crescimento gradativo da renda individual e a estabilidade inflacionária vivida nos últimos anos proporcionam às pessoas físicas um maior poder de compra tornando indispensável o conhecimento em finanças. A teoria financeira consiste em um conjunto de conceitos que ajudam a organizar o pensamento das pessoas sobre como alocar recursos ao longo do tempo a fim de ajudar as pessoas a avaliarem alternativas, tomarem decisões e implementá-las (BODIE; MERTON, 2002).

O planejamento financeiro é um dos instrumentos utilizados para a organização e aplicação dos recursos visto que consiste na definição de uma estratégia, de curto, médio ou longo prazo, para acumulação de bens e valores criando assim um patrimônio pessoal ou familiar (FRANKENBERG, 1999; EID JUNIOR; GARCIA, 2001). Traçando esse planejamento o indivíduo terá controle sobre sua situação econômica e financeira e vislumbrará possibilidades de resolver possíveis situações imprevistas realocando seus recursos próprios ou, ainda, recorrendo a recursos de terceiros. Contudo, não se pode deixar de se abordar aqui, a vontade de ter uma renda extra, que pode ser considerada um sinônimo de falta de planejamento. A renda extra, que já foi abordada por Fisher (1930) como a então chamada “renda prazer” que é aquela vontade de ter uma renda a mais para se utilizar é, e será um fator que impacta diretamente com o planejamento familiar.

Cerbasi (2009) aponta que, apenas manter as contas em dia e viver sem dívidas não representa estabilidade financeira. É de extrema importância ter uma renda extra que possa ser utilizada em uma eventual casualidade. Os princípios para que haja um planejamento financeiro eficaz são a organização e o planejamento, pois sem estes a tendência é a inadimplência de forma inevitável. Ou, seja o futuro não lhe pertence, não somos aficionados pela utilização do bem no futuro e sim pelo prazer do presente e os benefícios do agora; 2) autocontrole, a previsão está relacionada ao pensamento; o autocontrole à vontade. Algumas pessoas não sabem distinguir o que o pode lhes prejudicar do que não pode. O controle parte da abnegação de bens supérfluos; 3) hábito, pode ser herdado, pois se há uma base familiar que tenha controle de suas finanças, o resultado é que as pessoas que a rodeiam passam a seguir o hábito de controle e de poupança desde o seu berço; 4) expectativa de vida, a quarta circunstância pessoal que pode influenciar a impaciência por renda real imediata está relacionada à incerteza de vida do receptor.

Olhando pelo lado do credor, as incertezas do futuro da sociedade podem afetar o crédito, pois se a população tende a ter uma taxa de mortalidade alta, o lógico será que o crédito dado passa a ser dado com mais dificuldade. Pode-se dizer que a possibilidade de morte é o fator racional mais importante tendendo a aumentar a impaciência; qualquer coisa que tenda a prolongar a vida humana tende ao mesmo tempo, a reduzir a impaciência; 5) interesse pelas vidas de outras pessoas, a preocupação com o futuro dos filhos os levam a crer que a poupança será o melhor caminho ao invés de gastar, a cultura muitas vezes é responsável por isso, nos EUA por exemplo, se crê que os filhos são uma continuação de sua vida e por isso se tem o dever de cuidar das finanças para seu futuro.

Desemprego Podemos considerar o desemprego como o principal fator que leva a pessoa a seguir como inadimplente, pois a renda é uma variável que quando ocorre sua falta, o cidadão fica impossibilitado de honrar seus compromissos. Ainda que a macroeconomia moderna só tenha auferido corpo a partir da década de 30 com John Maynard Keynes e a publicação de sua Teoria Geral, o desemprego já era um tema discutido por economistas há tempos. Ele entendia o desemprego por dois lados, um era considerado o desemprego voluntario e o outro era o desemprego involuntário. O desempregado voluntário era traduzido por pessoas que simplesmente não estaria trabalhando por vontade própria ou porque a oferta de emprego não condiz com a sua vontade. O desemprego involuntário é aquele que ocorre quando a economia da nação está em crise e a oferta de emprego não supri a demanda de mão de obra.

Quanto maior a taxa desemprego, menor a taxa de inflação dos salários. O desemprego não faz bem para economia, devemos entender que a economia é um ciclo e que inflação e desemprego não podem ser evitados, mas sim tentar fazer com que os impactos de uma crise econômica não afetem muito, principalmente as classes mais baixas da população. DADOS DE INADIMPLÊNCIA E ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLAS BRASILEIRAS Segundo o BNDS (2012) com o estímulo ao microcrédito para fins de consumo, promovido pelo governo federal em 2003, tem início a bancarização da economia, voltada para as camadas mais baixas da sociedade, expandindo o mercado de crédito. Para o BNDS (2012) a atuação do governo foi decisiva para a ampliação do crédito bancário, que no período proporcionou mudanças jurídicas e institucionais, para a criação de linhas de crédito como o crédito consignado.

Tais mudanças foram importantes porque diminuiu o risco dos empréstimos a trabalhadores e aposentados de menor renda. Cabe ressaltar que a taxa SELIC é uma média anualizada das taxas overnight de empréstimos interbancários, lastreados com Títulos Públicos. Desta forma, a referida taxa tem influência direta no volume de crédito disponível do mercado. No gráfico abaixo pode-se observar as variações da taxa SELIC no período de 2003 a 2016. Gráfico 4: Taxa SELIC - 2003 a 2016 Fonte: Banco Central do Brasil – Departamento de Operações do Mercado Aberto (2017) Analisando o gráfico acima nota-se que a partir de 2006 a taxa começa a reduzir, porém em 2008 muito em virtude da crise imobiliária dos Estados Unidos a taxa SELIC se eleva novamente.

Mediante as ações do governo em relação a concessão de empréstimos as classes mais baixas da população, o financiamento imobiliário, a redução do IPI para os bens de consumo domésticos entre outros faz com que a taxa mantenha-se em constante alteração. Desta forma, observa-se que a faixa etária que apresentou o maior endividamento foi entre 26-30 anos, onde a taxa de inadimplentes chegou a 29,9%. Em seguida, as pessoas com idade entre 31-35 anos que representaram 29,3% dos consumidores, seguidos por pessoas com idades entre 36 e 40 anos, com percentual de 28,2% de inadimplência, e o grupo entre 18 e 25 anos, que mostrou pouca diferença com percentual de 28,1%. Para o Serasa as pessoas com faixa etária acima de 70 anos, apresentaram a menor proporção em relação ao endividamento cerca de 10,3%.

Segundo a Confederação Nacional do Comercio – CNC (2014), mediante a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) elucida que, o número de famílias endividadas em bancos, loja, financeiras e prestação de financiamento de veículo e seguro atingiu cerca de 62,7% em 2014, apresentando elevação no nível de endividamento, quando comparado com o ano de 2013 que apresentou cerca de 61,5%. A CNC expõe ainda que o comprometimento de renda devido a dívidas bancárias reduziu em relação a 2013, chegando a 21,6% em 2014, embora se note que não tenham sido relevante a redução tendo em vista o índice anterior que era de 21,8% em 2013. Desta forma pode-se observar que a falta de planejamento financeiro por parte dos tomadores de crédito e do aumento das facilidades de financiamentos foram fatores indutores do endividamento.

Ao longo da série observa-se que o comprometimento da renda em função do volume de dívidas aumentou significativamente e com os constantes aumentos na taxa de juros muitas das famílias não têm como honrar seus compromissos e com as perspectivas do mercado atual torna-se cada vez mais difícil as pessoas saldarem suas dívidas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANTONIO, Marcos. Cooperativas de Crédito História da evolução normativa no Brasil, 6° edição. Disponível em https://www. pdf. Acesso em 30/01/2016. SOCORRO, Andréa. Inadimplência e recuperação de crédito. Disponível em http://www. br. Acesso em 03/02/2016. INHUDES, Adriana; MARCOS, Antônio; PIMENTEL, Fernando, LAGE Filipe, MACHADO, Marcelo. A economia brasileira: conquistas dos últimos 10 anos e perspectivas para o futuro. Disponível em https://web.

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