Religião tóxica

Tipo de documento:Plano de negócio

Área de estudo:Religião

Documento 1

Cleiton Luan Lima de Barros Professor Orientador ______________________________________ Prof. Genilson de Souza Silva Membro ______________________________________ Prof. Cicero Ricardo da Silva Santos Membro Serra Talhada - PE 2018 Dedicatória: Dedico este trabalho a minha esposa Ynêssa Santos, e a Deus por tudo o que tens me feito e dado. Grato a Deus pela sua infinita bondade e pela sua Destra que me guia me protege e dá forças. Sem as quais eu não seria nada além do pó. À Faculdade de Administração, Ciências, Educação e Letras – FACEL, seu corpo administrativo e colaboradores em geral. À Coordenação do Curso de Teologia, seu corpo docente e funcionários. Não posso ser ingrato citando nomes, correndo o risco de não dar nomes a todos, quero agradecer aos meus amigos de curso, que nesta jornada estiveram comigo trilhando juntos os caminhos da Teologia, na certeza de um mundo melhor. Aos meus familiares, em especial aos meus pais, Agostinho Rufino e Raimunda Santos, e minha maravilhosa esposa Ynêssa Santos. Um muito obrigado a todos que de maneira direta ou indiretamente, contribuíram com a construção do meu mundo sagrado e secular. Ao professor Cleiton Luan Lima de Barros, orientador zeloso pelo rigor científico. Decidi falar sobre este tema (RELIGIÃO TOXICA) porque hoje vejo o quanto nós cristãos e não cristãos vem sendo intoxicado por muitas Religiões ou Seitas e Heresias que pegaram o que era puro e começaram a tornar impuro aquilo que era simples para o complicado, distanciando o homem de Deus, algo que foi conquistado na Cruz, o livre acesso e o direito de ser livre.

Após anos de “RELIGIÃO” hoje sou membro de uma comunidade que VIVE, AMA E SERVE ao JESUS que ama pessoas e as aceita assim como elas são. Hoje eu sou livre de religiosidade e tradições impostas por homens, e não por Deus. É aqui na minha comunidade onde eu tenho o prazer de poder tocar e expressar minha gratidão através da musica e também liderar um Grupo de Crescimento de Casais, junto com minha esposa, onde nós aprendemos mais do que ensinamos, onde criamos relacionamentos saudáveis e pessoas apaixonadas por JESUS. Hoje eu amo esse lugar e esse lugar é a VIDEIRA. Ora, quem é que vos há de maltratar, se fordes zelosos do que é bom? Mas, ainda que venhais a sofrer por causa da justiça, bem-aventurados sois.

Não vos amedronteis, portanto, com as suas ameaças, nem fiqueis alarmados; antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados, para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós. I Pedro 3,13-15 RESUMO A partir do termo “religião”, abre-se a discussão para a validade de se viver dentro ou fora desse recorte. Não se trata, portanto, de um estudo que se arvora ser completo e inquestionável, mas um que vai se somar aos outros questionamentos e estabelecer diálogo com os mais diversos campos das ciências sociais em uma abordagem multidisciplinar. It is not, therefore, a study that arvores to be complete and unquestionable, but one that will be added to the other questions and to establish dialogue with the most diverse fields of the social sciences in a multidisciplinary approach.

Without losing sight of the theological focus, we started with the understanding of "toxic religion" as a product of the secularization of the postmodern world. Authors such as Talal Asad (1993); Geertz (2012), Filoramo and Prandi (2012), Zigmunt Bauman (2008) and Tim Keller (2018), dialogue with their divergences and theoretical convergences assisting in the construction of an anthropological historical path to discuss the presuppositions that present religion in its plurality. On the other hand, it is from the theology and its entanglement with the sociology that the reading of the secularization of the postmodern society arises as a phenomenon that will aid in the sedimentation of a religion that every day, distances itself from the gospel, proclaiming the satisfaction personal and the fulfillment of eminently human values, especially material ones, as well as propagating personal achievements as a manifestation of divine grace.

This discussion, known as Toxic Religion, is pertinent to the present day, when we live in a society of consumption, where the ter is power, conferring to the material spiritual qualities. O fenômeno da secularização 20 2. O CETICISMO NA CONTEMPORANEIDADE 24 2. A fé na era secular 27 2. A religião Intrínseca e Extrínseca 32 3. FÉ TÓXICA, RELIGIÃO TÓXICA 35 3. Também se contou com os bíblicos, sobretudo os neotestamentários, como eixo documental norteador deste estudo. Delinear o objeto, que aqui se traduz numa proposta de construção de uma narrativa histórica à luz da Teologia, no sentido de entendimento da religião em uma sociedade cada dia mais secularizada e voltada para as realizações materiais, que por sua vez são formatadas e propagadas como graças divinais.

Sem esquecer o contexto da atualidade que reduz a humanidade a um cotidiano de estresse e insatisfação, que por sua vez corrobora para que as pessoas procurem refrigério em uma espiritualidade pautadas em valores egóicos e etnocêntricos, segundo os quais procura afirmar-se na autoafirmação. A partir de então, vale assinalar que aqui se traçou uma investigação de natureza qualitativa de abordagem bibliográfica. Para tanto, há de se observar a pesquisa qualitativa pode estudar significados, representar opiniões e perspectivas, ser mais abrangente e contextualizada, revelar conceitos existentes ou emergentes e usa múltiplas fontes (YIN, 2010). Para melhor entendimento, está dividido em dois capítulos. O primeiro capítulo vai tratar da fundamentação teórica da pesquisa, enquanto que no segundo capítulo foram considerados os parâmetros bíblicos com os preceitos da religião tóxica.

Religião, religiões – a discussão do termo A racionalização na modernidade afetou o fenômeno da religião, que por sua vez, não conseguiu se manter à margem das transformações culturais e sociais provocadas pelo iluminismo. Entendendo que o período iluminista produziu uma nova consciência nas pessoas, construindo uma nova concepção de mundo, que afetou a consciência religiosa. A partir de então, o ser humano passou a ser encarado como origem, centro e fim da religião. Portanto, “[. não pode haver uma definição universal de religião, não apenas porque seus elementos constituintes e suas relações são historicamente específicos, mas porque esta definição é ela mesma o produto histórico de processos discursivos (ASSAD, 1993, p. Nas perspectivas de Filoramo, Prandi (2012) e Talal Asad (1993), podemos associar o discurso de Clifford Geertz (2012), quando deixam antever que o conceito de religião é uma construção de contextos históricos específicos que se associam ao poder.

Para o teólogo e pastor Van der Leeuw (1964) a religião nasce da insatisfação do homem, sendo determinada pela cultura tal como as contínuas mudanças da humanidade, sendo assim, o homem mesmo aceitando a vida que possui, busca completá-la com a religião. O autor considera que a religião constrói sua existência pela ideia de que há algo de errado no mundo material, que precisa ser aperfeiçoado e completado com o sagrado/espiritual. Acerca disso, surgem as críticas ao fato de que muitos vivem a religião e desconhecem a essência, no caso do ser cristão. As palavras de Bauman na obra Vida para consumo (2008), apontam para a conversão das pessoas em produtos; afirmando que “na sociedade de consumidores, ninguém pode se tornar sujeito sem primeiro virar mercadoria [.

” (2008, p. Já em O mal-estar da pós modernidade (1998), o autor vai chamar a atenção para a secularização do homem pós-moderno, que não procura acabar com Deus, nem com as formas religiosas. Antes pelo contrário, vai ressignificar a sua religião na qual tudo passa a existir e ter valor quando vem ao encontro das suas necessidades e satisfações dos desejos pessoais. Nesse sentido surge a discussão do papel da religião na vida do indivíduo inserido dentro da sociedade de consumo, na qual cada vez mais o ter passa a ser sinônimo de satisfação e preenchimento das angústias humanas. Para sedimentar a discussão antes de mais nada é necessário se estabelecer uma diferença que aqui é primordial para a compreensão do termo religião: as diferentes posturas dos estudos de religião adotadas pela Ciência(s) da(s) Religião(ões) - CR1 de um lado e, do outro a Teologia.

Ambas estudam o mesmo objeto, no entanto apresentam proposituras não divergentes, mas distintas entre si. É uma área de certo modo recente que vai ser dinamizada a partir da cátedra de História das Religiões com Rafaelle Pettazzoni (1883-1959) que vai analisar a religião sob o ponto de vista histórico, dando uma nova abordagem para esse campo de estudo que vai se dimensionar e assumir maiores proporções com a efetivação dos estudos das Ciências das Religiões no mundo, sendo no Brasil o seu reconhecimento científico a partir de 2017 como área 44 – Teologia e Ciências das Religiões, transformando-se em ciência, pelo menos consolidando aquilo que se fundamentou a partir dos estudos de Max Müller (1823- 1900), que é considerado como o pai da disciplina por ser o fundador dessa área acadêmica.

A área, por sua vez, é considerada como interdisciplinar por envolver outras disciplinas que serão posteriormente denominadas de subdisciplinas ou subáreas. Assim: Teologia, embora possa questionar dados ou interpretações comunicadas pela tradição, não questiona a tradição em si. Ela admite como premissa de sua reflexão ser a tradição uma doadora de sentido consistente. Isto é, a tradição representa uma fonte com chance de ser verdadeira por remontar a um conjunto coerente de testemunhas referenciais, por sua vez conectadas a uma origem ontológica presumida. A Teologia problematiza o fenômeno religioso, analisa o caráter histórico do tema da construção do humano – dos valores, do sagrado e do discurso teológico – a partir de uma fundamentação baseada nos referencias teóricos do dogma e da fé (vínculo do homem com o sagrado ou transcendente) (STIGAR; TORRES; RUTHES, 2014, p.

Nesse contexto a diferença da abordagem se estabelece entre a Teologia e CR. Nesse sentido, os autores compreendem que essa abordagem teológica se fundamenta na cooperação e construção de melhorias significativas das comunidades nas quais está envolvida. Isto posto, será a partir da conceituação das ciências que intitulam este item, que mais adiante será discutida a secularização da sociedade de consumo, na qual nos inserimos nos dias hodiernos, para posterior entendimento à luz da teologia. O fenômeno da secularização No início do século XX, no contexto pós Primeira Guerra, o pensador espanhol Miguel de Unamuno (1864-1936) falava na sua obra A agonia do cristianismo (1924[1991])2, de um conceito muito atualizado ainda no século XXI, sobretudo pela secularização que perpassa as sociedades ocidentais, no que diz respeito a secularização.

Falando da agonia, Unamuno vai evidenciar o combate entre a vida e a morte, que tanta ênfase possui na vida do moribundo. Por assim dizer que os combates são travados dentro e fora desse homem, dessa sociedade ou dessa instituição, como o cristianismo, por exemplo. Acerca da urbanização, apesar da sua importância para contextualizar, neste estudo vai se relacionar com a urbanização, tanto quanto esta dilui a ação da igreja e, portanto, o poder da religião sobre os homens, sobretudo a partir da sua diversidade que vai desintegrar as sociedades tradicionais. Cox (1971), vai organizar as suas ideias enfatizando que a secularidade é produto do processo histórico da fé bíblica e estabelece a diferença entre secularização e secularismo. Como secularismo entende-se a separação entre a Igreja e o Estado, portanto, é em si, o princípio da separação entre instituições política e religião.

A tese descrita na obra A Cidade Secular argumenta que Deus é o primeiro Senhor da história, e só então a Cabeça da Igreja, ou seja, que Deus se faz tão presente no secular como nas esferas religiosas da vida, e que o, os homens limitam essa presença por dimensiona-la em formato apenas espiritual e eclesial. Nesse sentido, segundo Cox as pessoas de fé não devem temer o suposto mundo ateu, vivido na contemporaneidade. Viver essa fé confrontada com novos valores e os valores adicionados na nova vivência da fé, são os assuntos abordados a seguir. O ceticismo não é apenas um termo etimológico, há toda uma corrente filosófica que trata desse conceito. No entanto vamos nos remeter ao ceticismo como uma condição do homem, aquele que duvida, ou que é cético, diante da existência de Deus, dos seus desígnios e da sua Palavra.

Mas o trabalho seria incompleto se pelo menos não nos referíssemos David Hume (1711-1776), foi um filósofo, historiador e ensaísta britânico nascido na Escócia que se tornou célebre por seu empirismo radical e seu ceticismo filosófico. Nem que seja para constar, há aqui a sua referência. Por exemplo, sabe-se de inúmeras, mas mesmo inúmeras, observações em que a Terra apresenta uma forma mais ou menos esférica. Porém, por maior que sejam estas observações, há sempre a eventualidade de se encontrar a negação dessa verdade. Qualquer ser humano que olha para fora vê uma parte desse mundo, não como esférico, mas como plano. É necessário que se veja o desaparecimento de navios que se afastam no mar.

Nesse caso, o início é pelo casco e o término pela parte superior. Nessa caminhada, o que se pode ter como “rescaldo” vai respingar no aspecto religioso, no qual as pessoas vão também ressignificar as suas relações com o transcendente, trazendo movimentos religiosos novos, reforçando os já existentes e em muitos casos transnacionalizando aquelas que se restringiam timidamente a um espaço geográfico, como por exemplo, as religiões orientais passam a ser mais aceitas e difundidas no Ocidente, missionários europeus e norte-americanos se deslocam para a África, criando um novo mapa religioso para o mundo ocidental. Ou seja: No campo dos movimentos e práticas sociais, fenômenos como o crescimento impressionante dos evangélicos e (neo)pentecostais na América Latina, Ásia e África, com a consequente inversão do fluxo missionário cristão em direção à América do Norte e Europa.

O surgimento da espiritualidade da “nova era” e dos chamados “novos movimentos religiosos”. A persistência e as indicações de renovação/restauração no interior do catolicismo e das igrejas ortodoxas orientais. A força política dos evangélicos conservadores nos Estados Unidos e, mais ainda, o crescimento do Islamismo e a atuação de grupos religiosos extremistas em diversas regiões. a secularidade: a primeira é a tradicional separação entre Igreja e Estado; a segunda forma afirma que a secularidade consiste no abandono de convicções e práticas religiosas; por fim, a terceira forma à qual Taylor se dedica é a compreensão da fé como uma opção entre outras (CAMATI, 2013, p. Acerca desse pensamento e observando o lugar da fé e da religião no mundo contemporâneo, segundo a visão de Taylor (2010), pode ser dito que: Taylor tenta estabelecer o novo lugar ocupado pela religião no mundo contemporâneo.

Com a cultura da autenticidade, ocorreu um forte processo de individuação, cada indivíduo tem que buscar expressar uma maneira original de ser. Desse modo, a prática religiosa é não só uma escolha individual, mas também deve falar ao indivíduo, deve estar associada ao seu desenvolvimento espiritual. Está implícita uma exigência: segue teu caminho espiritual e deixa que os outros sigam livremente os seus caminhos espirituais. Nos estudos das propostas de Taylor (2010) e Epstein (1982/1999), surge um novo tipo de espiritualidade tem possui uma visão diferente sobre Deus, “[. pois o vê não mais dentro de uma estrutura teísta, mas como algo que estaria além de qualquer tipo de simbolização” (VELIQ, 2013, p. Assim, a religião mínima será entendida como práticas contemporâneas emocionais que acabam sendo uma forma muito específica de pensar a religião no mundo contemporâneo, secular e cético, no qual a busca de sentido contra a insegurança da realidade esperada e que não veio com os avanços tecnológicos ou pelas ideologias, pelos sistemas políticos que prometiam dias melhores mas não conseguem satisfazer as angústias dessa sociedade.

Como por exemplo: Por exemplo, a energia nuclear, que é usada como instrumento de destruição e ameaça a sobrevivência da humanidade; a manipulação genética, que gera um desequilíbrio na biosfera, dentre outras coisas. Da mesma forma, as propostas de um mundo melhor feitas pelas ideologias modernas tais como a democracia liberal, o socialismo marxista ou o racionalismo científico se mostraram insuficientes para cumprir a promessa de um mundo melhor e tiveram que ser abandonadas, revelando o grande vazio da existência voltada agora para a satisfação das necessidades imediatas. Quanto maior é a incerteza quanto ao futuro, quanto mais intensa é a pressão da mudança, mais as crenças proliferam, diversificando-se e disseminando-se até ao infinito. O principal problema, para uma sociologia da modernidade religiosa, é por isso tentar compreender no seu conjunto o movimento pelo qual a modernidade continua a minar a credibilidade de todos os sistemas religiosos e aquele pelo qual ela faz ao mesmo tempo surgir novas formas de crença (HERVIEU-LÉGER, 2005, p.

Nessa diversidade religiosa analisada por Hervieu-Léger (2005), Berger (1995) vai consolidar o seu entendimento, chamando a atenção para o fato de que nos contextos nacionais, concomitantemente, a pluralização cultural e religiosa bem como o nascimento de novas igrejas, desmembramentos, e denominações, além de novos movimentos, devem ser interpretados como indícios do processo de destradicionalização do campo religioso, o que vai corroborar com a secularização. Lembrando que Berger (1995), será dos mais reconhecidos teóricos que associarão essa pluralidade religiosa com a força adquirida pela secularização. Recentemente, no livro Os Múltiplos Altares da Modernidade (2017), vai fazer uma revisão de sua própria teoria, reconhecendo que as forças conservadoras da contra-secularização também exerceriam forças paralelas, ou seja, vai refutar a ideia de seculariazação mostrando que há nesse sentido uma revitalização do sagrado e reencantamento da cultura religiosa (BERGER, 2017).

Ou seja, enquanto experiência religiosa, a extrínseca vai servir para se atingir um determinado fim, enquanto que a intrínseca, surge como uma estrutura de significado à vida (ALLPORT; 1967). Assim, a religião intrínseca estabelece uma estrutura que fornece significado através do qual toda a vida é compreendida. O motivo principal é a religião. Outras necessidades, por mais fortes que sejam, são vistas como secundárias e são, dentro do possível, trazidas em harmonia com a crença e prescrições religiosas. Tendo abarcado um credo, a pessoa se esforça para internalizá-lo e segui-lo totalmente. Segundo o entendimento de Lotufo neto (1997), algumas pessoas são ajudadas pela religião e a escolhem como um eixo norteador, um caminho de crescimento pessoal, enquanto que para outros, vai se tornar uma fonte de estresse que corroborará para a instalação de um transtorno mental.

A religião se torna prejudicial quando gera níveis patológicos de culpa, pela diminui a autoestima, contraria a sua natureza e cria ansiedade, repressão e impede o crescimento pessoal. aumenta a intolerância e hostiliza o outro e traz a paranoia de que “forças do mal” ameaçam a sua integridade moral. Quando a religião é intrínseca e benéfica, reduz a ansiedade e oferece uma estrutura cognitiva que vai ordenar e o mundo caótico fornecendo a esperança e o bem-estar emocional, remetendo que o sentido soteriológico é um fatalismo que vai redimensionar o fim, dando-lhe o valor do encontro com o sobrenatural, crendo na força do onipotente que lhe assegura o porvir na glória. Une as pessoas e torna-as irmanadas. transformarão a experiência de viver.

Perdoar alguém, dedicar-se a você por um dia, meditar sobre ações ruins, listar falhas e transformá-las são só algumas das atitudes propostas. Com elas, será possível receber o que tanto se deseja: felicidade e paz interior. Assim como o corpo precisa de atividades e exercícios para a desintoxicação, nossa alma também deve permanecer leve. Afinal, saúde e o bem-estar são resultados de uma harmonia entre corpo, mente e alma. O teólogo americano Craig Groeschel, vai nesse sentido, apelar para o que ele vai chamar de intervenção radical, contando a sua experiência entre o ser pastor que as pessoas esperam e o seu um pastor no formato de Cristo. Vejamos: Chegou o domingo seguinte, e subi naquele púlpito sem nenhum preparativo — nem sequer um esboço básico.

A única preparação era a do meu coração. Minha garganta estava seca, meu nervosismo era indescritível. Lá estava eu, encarando duzentas pessoas, todas bastante comprometidas com aquela igreja. Mais adiante, o autor, vai chamar a atenção a um ponto que é crucial, sobretudo para os cristãos que vivem em comunidade (igrejas, escolas, associações etc. com uma frase que, de certo modo, é chocante, pela sua pungência: amo Jesus, odeio os cristãos! Nas suas palavras: “ eu amo Jesus. O que me deixa maluco são seus seguidores” (GROESCHEL, 2007, p. Verdadeiramente, ao ler essa obra em particular: Confissões de um pastor (2007), a pessoa de mente mais fechada não vai compreender o sentido das palavras do teólogo americano. Mas, mais adiante ele explica: Para ser sincero, não gosto de muitos cristãos.

Com nome homônimo à obra de Groeschel (2013), o pastor brasileiro Lúcio Barreto, mais conhecido como o pastor Lucinho, da Igreja Batista de Lagoinha, laçou uma série de vídeos em 2013, com propósitos idênticos ao americano, divulgar a toxidade da religião. As mensagens receberam o suporte do seu livro com o nome idêntico: Desintoxicando a alma (2012), lançado no ano anterior vai atentar para pregações que identificam três aspectos importantes que seguem o mesmo dito pelo autor americano: pensamentos, palavras e relacionamentos, redundando em uma obra de fraco teor teológico, assemelhando-se a autopromoção, sem a profundidade encontrada na obra homônima americana, que vem de uma formação no Philips Theological Seminary. Não só pela sua formação, mas de fato a obra de Groeschel vai apresentar uma cuidadosa leitura bíblica que mostra o distanciando do cristão, em relação aos ensinamentos de Cristo.

Adiante, na Figura 3, a capa do livro de Lucinho Barreto (2012). Figura 3 - Capa do livro Desintoxicando a Alma de Lucinho Barreto Fonte: Livraria família Cristã, 2018. Adiante, na Figura 4, o Templo de Salomão. Figura 4 - O Templo de Salomão IURD Fonte: Revista Veja São Paulo, 2017. O volume do investimento realizado (680 milhões de reais), pode ser considerada ousada tática de risco, traduzidas pelas dificuldades assumidas no projeto de transplantar a Terra Santa para o território brasileiro, importando de Israel desde pedras, tamareiras, além de grandes réplicas de objetos rituais e, bem como por inserir no panorama das edificações religiosas já existentes no Brasil – igrejas, sinagogas, mesquitas, templos budistas – uma novidade sem equivalente na tradição recente, uma vez que os dois primeiros templos de Salomão teriam sido destruídos ainda na Antiguidade (VEJA SÃO PAULO, 2017).

Destarte as críticas estabelecidas, o seu paradoxo se encontra no fato de que, contradiz a função clássica da forma igreja, isto é, lugar de culto que nada mais é do que aquele local que fiéis, formando uma base abrangente e contínua (Beyer, 1998). Assim, no sentido de que é entendida a religião da Modernidade, descrita nas obras de Hervieu-Léger (2005) e Berger (2017), a predominância de tal modelo de igreja, enquanto instituição privilegiada da atividade religiosa, o Templo de Salomão pode ser considerado como uma expressão bem-sucedida desta nossa era, na qual crer é também aparecer, ou como está descrito na Bíblia, em relação aos fariseus. Compreendendo que tal construção vai se remeter a forma de como a IURD e muitas igrejas de denominações e credos diversos entendem a exteriorização, ou ainda, como se organiza para exercer influência pública.

Da mesma maneira como algumas considerações fizeram parte dessa demanda, nomeadamente a estruturação do termo “religião”, também se faz necessário compreender a fé. Que por sua vez, é determinante para articular leituras que permitiram construir as continuidades entre diferentes concepções do mundo religioso e fora dele. Nesse diapasão, se fez necessário também, construir um arcabouço teórico utilizado, auxiliado pelas linhas do conhecimento teológico, pelo menos, o que é visto como conceito de fé e quando esta se torna antagônica à religião. Em entrevista recente à Revista Época online, o cientista da religião Reza Aslan, afirma que “acreditar em Deus é diferente de ter religião” (ÉPOCA, 2018, online). Por isso, defendo que façamos um esforço consciente para despojar Deus desses atributos humanos.

O resultado desse esforço será uma vida espiritual mais profunda, pacífica e plural (ÉPOCA, 2018, online). O entendimento do autor não é de todo novidade, uma vez que nos dias atuais vivemos muito preconceito e presenciamos a intolerância praticamente todos os dias do nosso cotidiano. No entanto, pouco ou nada fazemos para reverter esta situação, antes pelo contrário, muitos utilizam a religião de forma a dispensar a sua característica espiritual e humanizar. A questão é que ao humanizar nós tendemos a inserir Deus na nossa vontade, e não o contrário. ao mesmo tempo por sua religiosidade veemente e por seu compromisso político de reivindicar a libertação de Israel e o estabelecimento do Reino de Deus na terra: os zelotas, donde vem o título do livro (PIZA, 2016, p.

Assim, apesar da defesa, por Aslan (2013) de que Jesus de Nazaré era um líder judeu zelota, acaba por escrever mais de forma narrativa do que analítica, ou seja, o aprofundamento da sua análise mantém de maneira mais superficial do que o leitor de fato procura, mas mais adiante o autor considera que a falta de fontes históricas pode comprometer o trabalho de qualquer historiador se aventure. Assim, passa por oferecer no início uma escrita até de certo modo explicitada a partir de uma breve apresentação autobiográfica: “Minha esperança com este livro é difundir as boas-novas do Jesus da história com o mesmo fervor que uma vez apliquei em espalhar a história do Cristo” (ASLAN, 2013, p. Por assim dizer, o autor não considera que seu livro seja lido com um olhar acadêmico-científico, portanto evita apontamentos em nota de rodapé, se limitando a fazer notas mais gerais sobre cada capítulo ao final do livro.

Nesse sentido, o autor vai configurar o seu tempo na obra com o tempo histórico vivido por ele, como faz em relação ao tempo cronológico de Cristo, apresentando contribuição para a conjuntura histórica da qual testemunhava enquanto escrevia o livro. Assim, o que podemos entender quando ouvimos o termo religião? Na tentativa de responder a essa questão, vamos considerar que não se trata de um conceito, mas de um termo utilizado para denominar, grosso modo, a relação que há entre os indivíduos e Deus. A definição do termo e a sua origem, constituem em uma das discussões mais caras para a teologia em sua vertente acadêmica, ou seja, enquanto teoria, isto posto, porque vai suscitar entendimentos variados e discussões acaloradas.

Para Mircea Eliade, um dos maiores expoentes do estudo das religiões, o fenômeno religioso deve ser entendido dentro dos parâmetros de sua própria modalidade (ELIADE, 1989), o autor busca evitar o reducionismo ao procurar entender o fenômeno dentro de sua escala religiosa, levando em conta a partir dessa reflexão experiência do sagrado, segundo ele “todo rito, todo mito, toda crença ou figura divina reflete a experiência do sagrado e, por conseguinte, implica as noções de ser, significação e verdade” (ELIADE, 1989, p. No entendimento do termo religião, é necessário compreender que esta difere de espiritualidade e de fé. Segundo o Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, Michaelis. Não à toa os múltiplos usos que se faz da religião no sentido estrito senso.

É nesse contexto que pode se afirmar que acreditar em Deus ou deuses foi a base das primeiras civilizações (LAUDARES, 2007) Na busca do bem-estar, da saúde e de melhores condições de vida, mesmo que seja no mundo físico, como a aquisição de bens materiais, algo que cause sensações e impressões de bem-viver. Nessa caminhada a fé tem papel fundamental. Já para o cristão – aquele que professa a fé em Cristo, a fé é a confiança inabalável, por mais desalentador que seja o contexto; é crer plenamente no rumo da própria vida, dedicando o seu destino e o dos entes queridos, nas mãos de Jesus. Machado (2014, p. O Livro de Atos mostra como a primeira igreja foi se organizando e anunciando esta fé num movimento que vai de Jerusalém a Roma (At 1.

MACHADO, 2014, p. O anúncio da fé no evangelho traduz a crença em Cristo, assim, através do acreditar que Deus coloca o ser humano no caminho, cuja meta é Jesus. Nesse entendimento, a fé adquire elementos que dizem respeito à condição humana: o pensamento e o ser da humanidade, “[. é o momento da decisão humana, mas esta é precedida pela decisão fundamental de Deus. Sendo que vai, ela reduzir a beleza do Evangelho a uma lista de fazer e não fazer; cumprir ou não. Regras são normas e as normas devem ser seguida, mas o ensinamento do Mestre? Conhecereis a Verdade ela vos libertará, por viver em Cisto, entende-se viver fora da norma, dentro da Verdade, não com a Verdade, mas como a Verdade. As normas são reguladoras e formatam a religião.

Vale também salientar que enquanto a fé interioriza-se a religião se exterioriza e se concentra nas aparências, em vez do interior, mas também essa ênfase na aparência externa produz um orgulho interno. A etiqueta da fé Porque vive na toxidade religiosa é sobretudo negar o Evangelho. A teoria de Berger da dessecularização vai encontrar a realidade brasileira nos dias atuais quando podemos ver a relação dialética entre secularização e dessecularização, bem como em muitos casos a ocorrência simultâneas dos dois tipos de secularização classificadas pelo autor não ocorrem de modo simultâneo, assim, o que se presenciou no auge da modernidade uma certa separação das esferas sociais e uma grande perda de poder e influência das religiões sobre as esferas da economia, da política, da arte e da ciência, etc.

mas não o fim da religião (EMMERICK, 2010). Portanto, o caráter religioso vai estar presente na sociedade como um fator de coesão. Assim: Não há razão para pensar que o mundo do século XXI será menos religioso do que o mundo atual. Uma minoria de sociólogos da religião tem tentado salvar a velha teoria da secularização pelo que eu chamaria de tese de última trincheira: a modernização seculariza sim, e movimentos como islâmico e o evangélico representam a última trincheira de defesa da religião e não podem perdurar (BERGER, 2001, p. Contudo, nessa recomposição das representações religiosas não significa dizer que seria o contraponto da dessecularização subjetiva, que seria o contrário da secularização subjetiva.

Porém uma dessecularização objetiva é o que pode ser visto atualmente no contexto político brasileiro quando a “bancada evangélica” é seguramente um bloco coeso e bastante atuante, sobretudo no Congresso Nacional em apoio ao recém eleito presidente da república, o ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro, Jair Messias Bolsonaro, nas últimas eleições ocorridas em outubro de 2018, com acostamento de forma declarada, inclusive, com o divulgação de depoimentos de alguns pastores, à exemplo do Silas Malafaia e o Cláudio Henrique, bem como até profecias foram feitas no sentido de que seria o Salvador do Brasil, lhe dando uma mística messiânica. O presidente eleito, pretende seguir o exemplo de Donald Trump que transferiu a embaixada americana para Jerusalém, uma vez que: Jesus em Matheus 24:15 disse que no livro de Daniel está a mensagem daquilo que ocorreria nos últimos dias.

Logo, nessa guerra, que precederia os últimos dias, o Rei do Norte (possivelmente Donald Trump) pisará em Jerusalém, e o Egito, país islâmico mais populoso, não será poupado. A bíblia diz que o rei do Norte tomará as riquezas do reino do Sul, que é exatamente o que Trump diz que os EUA deveriam ter feito na Guerra do Iraque, que os EUA deveriam ter tomado o petróleo iraquiano. Bem se vê que a secularização como prevista a partir dos tempos Modernos é tão perigosa, quanto a dessecularização ou contra-secularização dos dias hodiernos. Isto posto não se quer tomar partido, mas apenas considerar fatos que se apresentam no âmbito da toxidade religiosa, quando a Verdade não entendida como tal, mas adquire um cunho de verdade, passando a ter um caráter eminentemente pessoal.

Exemplos pessoais e coletivos não faltam, que possam ilustrar com veemência o quanto a toxidade vem sendo prejudicial à religião. Através de comportamentos cada vez mais inexplicáveis e nocivos, mas totalmente baseados nos escritos bíblicos, são interpretados ao bel-prazer de quem procura se sobrepor ao que pregou Jesus em suas andanças na Terra. De um lado as expressões religiosas absorvem indiscriminadamente os preceitos bíblicos segundo o pensamento deste ou daquele líder religioso 4. Religião assim, tóxica, tem sido entendida como o nosso esforço para preencher a lacuna entre seres humanos falhos, pequenos e pecadores e um Deus santo. Infelizmente, nesse contexto, a religião vai reduzindo o Evangelho a uma formatada segundo os preceitos humanos. O orgulho interno do ser religioso transparece na exteriorização que coloca lentes para observar o outro sem a presença do Amor, portanto a harmonia se desinstala dando lugar ao julgamento intolerante que, muitas vezes torna impossível para nós nos entendermos uns com os outros vendo-os como dizimistas ou não, líderes ou não, mais ou menos religiosos.

Enquanto a religião diz eu faço que Cristo aprova a fé vivificada diz Cristo aprova, eu faço! 5. REFERÊNCIAS ASLAN, Reza. A dessecularização do mundo: uma visão global. In: Religião e Sociedade, vol. nº. O Dossel Sagrado. São Paulo: Paulinas, 1985. Disponível em: https://www. bibliaonline. com. br/acf Acesso em: 31 de outubro de 2018. CAMATI, Odair. dez. CAMURÇA, Marcelo Ayres. A sociologia da religião de Danièle Hervieu-Léger: entre a memória e a emoção. In: __ Faustino Teixeira. Org. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1971. CRESWELL, John W. Investigação qualitativa e projeto de pesquisa. Porto Alegre: Penso, 2014. ELIADE, Mircea. O Ceticismo Probabilístico e a Psicologia Psicologia: Teoria e Pesquisa Jan-Abr 2003, Vol. n. pp. ÉPOCA. Reza Aslan: Jesus era como os outros messias da sua época.

A interpretação das culturas. Rio de Janeiro, LCT, 2012. GRESCHAT, H. J. O que é Ciência da Religião? São Paulo: Paulinas, 2005. Lisboa: Gradiva, 2005. HOCK, K. Introdução à Ciência da Religião. São Paulo: Ed. Loyola, 2010. p. KELLER, T. Deus na Era Secular. Como Céticos Podem Encontrar Sentido no Cristianismo. São Paulo: Vida Nova, 2018. Em nome de Jesus. o processo de transferência na cura. Dissertação]. Mestrado em Ciências das Religiões. Universidade Católica de Goiás, 2007, 132 f. Céu e terra: genealogia da secularização. São Paulo: UNESP, 1997. RODRIGUES, Ana Dias Campos. Família e sexualidade: o caso da videira – igreja Em células. Mestrado em Ciências das religiões. RUTHES, Vanessa Roberta Massambani. Ciência da Religião e Teologia: há diferença de propósitos explicativos? Revista Kerygma.

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