Ascensão e Declínio da Hegemonia Norte-Americana no Século XX

Tipo de documento:Revisão Textual

Área de estudo:Ciências Políticas

Documento 1

O fim da Segunda Grande Guerra dá início a uma nova fase do capitalismo norte americano. Com grande parte dos países europeus arrasados pela guerra em todos os aspectos, antes mesmo de 1945, em um hotel em Bretton Woods (New Hampshire, Estados Unidos) é realizada uma conferência com ampla participação e interesse dos países envolvidos na guerra e outros estados independentes (à exceção da União Soviética) onde são criados dois órgãos que vão definir não só o ritmo e o fluxo de capital entre os países no pós-guerra, como também como estes países, em especial os que receberão recursos, irão alocar os mesmos. São eles o Fundo Monetário Internacional e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento ou Banco Mundial. A Conferência, com objetivo de ““instituir órgãos reguladores da economia internacional” [BARRAL, 2000, p. introduz ao panorama financeiro mundial a taxa de cambio fixa e o padrão de conversão dólar-ouro, colando a moeda americana a comercialização e ao valor do metal. Em termos gerais, a primeira medida vai promover transações monetárias disruptivas entre países a fim de manter suas taxas cambiais em um patamar minimamente seguro e a segunda transforma o dólar em reserva, em dinheiro universal [SQUEFF, 2016]. Squeff entretanto ressalta que não foram apenas estas medidas que garantiram o nascimento da hegemonia norte-americana e para tanto se apoia em Braudel e em Fiori.

O primeiro contribui com a teoria de que “o mundo não pode viver sem um centro de gravidade”. Fiori em 1999 descreve um mundo onde o capital financeiro precisa de um Estado politicamente poderoso, que possa intervir no exterior, capaz de transformar o mundo interno em área de investimento. Para o autor, a liquidez internacional (reassegurada em Bretton Woods) e a característica cosmopolita que estruturou o New Deal viabilizaram o surgimento da potência. O projeto tratava do desenvolvimento e teste de uma bomba atômica em Novo México, colocando os Estados Unidos em uma posição de grande poder e independência [VASCONCELLOS, 2013]. Truman então transforma o “New Deal” global de Roosevelt em um plano mais modesto, porém exequível [ARRIGHI, 1996]. Através de articulações políticas minuciosas, o líder americano formula um projeto de reconstrução dos países afetados pela guerra na Europa bem com uma série de ações visando a contenção da influência soviética e do comunismo junto aos países mais expostos.

Tais investidas viriam a ser conhecidas como Plano Marshall e Doutrina Truman. Arrighi esclarece que Truman teve que enfrentar um Congresso conservador do ponto de vista fiscal; em outras palavras, mesmo com o argumento do anticomunismo e a necessidade de fortalecer os países capitalistas aliados havia ainda a necessidade de uma emergência internacional e é neste contexto que a recém dividida Coréia inicia uma violenta guerra em 1950 com a massiva presença americana e aliados europeus lutando pela Coréia do Sul e do outro lado a URSS, China e outros países do eixo comunista pela Coréia do Norte. Embora bastante simbólico, o feito não foi capaz de deter o que a esfera financeira ensaiava há alguns anos. Em 1967, após anos de esforços para manutenção do câmbio fixo das nações em reconstrução, em especial o Reino Unido, através de compra e venda de reservas cambiais [GORDON, 2000], há a desvalorização da libra esterlina frente ao dólar americano.

Essa ruptura, em um cenário de liberalização e instabilidade dos mercados financeiros da City londrina levam a expansão da especulação sobre os “eurodólares” forçando os Estados Unidos a romperem o padrão de câmbio ouro-dólar instituído em Bretton Woods, instituindo-se um câmbio flexível em que o dólar era a moeda de troca [GORDON, 2000]. Em 1974, o governo americano desregulamenta o mercado financeiro e liberaliza o controle do capital, abrindo o espaço para uma nova forma de fazer negócios no mundo [HELLEINER, 1994]. Além da transnacionalização do capital, outro fator foi decisivo para a fuga maciça de capital para os mercados monetários offshore [ARRIGHI, 1996]. O início da década de 80 é marcado por um endurecimento na política militar contra o comunismo soviético.

Reagan eleva a belicosidade contra a URSS, estratégia que tem seu expoente na Guerra do Afeganistão (1979-1988), onde os EUA vão fornecer suporte e armas a exércitos fundamentalistas islâmicos sunitas para fazer frente às tropas do governo comunista da República Democrática do Afeganistão. É neste período que ocorre a disputa bélica que ficou conhecida como “Guerra nas Estrelas”, uma corrida armamentista tecnológica cujos principais itens de vitrine eram mísseis e armas nucleares. Os efeitos da Doutrina Reagan ainda seriam sentidos na Líbia, no Irã, na Nicarágua e no Panamá. Já não se tratava apenas de conter o comunismo, mas sim de derrotá-lo [FIORI E TAVARES, 1997]. Friedrich Hayek, um economista austríaco disseminava suas ideias liberais clássicas na Sociedade Mont Pèlerim, da qual faziam parte pensadores liberais de destaque na época, tais como Milton Friedman, economista norte americano e líder da escola de economia de Chicago.

Friedman viajara ao Chile na primeira metade dos anos 70, no intuito de assessorar o ditador Pinochet e seus ex-alunos de pós-graduação, os Chicago Boys [Public Broadcasting Service, 2019] na implementação do novo regime. Isso acontece um ano depois do Nobel da Economia de Hayek e um ano antes do seu próprio. Após mais de quarenta anos de conflitos indiretos e guerra ideológico-psicológica, de 1989 com a queda do muro de Berlim até 1981 com o fim da União Soviética, sucessivos eventos e crises no mundo comunista [RIBERA, 2012] ocorrem determinando o fim da Guerra Fria e o início de um mundo unipolar. É interessante notar a dinâmica diplomática que antecede este momento, em especial no que diz respeito às relações entre EUA e China.

Se nos anos 70 e 80, a Guerra Fria, a disputa pela hegemonia mundial e o anticomunismo foram pano de fundo de diversos conflitos armados, dos anos 90 em diante, com a queda da URSS e a reafirmação do hegemon, o sistema interestatal capitalista parecia necessitar de um novo inimigo comum. No início da década de 90 os DUA se envolvem em um novo conflito no mundo árabe. A Guerra do Golfo, embora tenha durado apenas sete meses, traria novos elementos à nova maneira de fazer guerra e resolve o problema do inimigo que faltava [ARRAES, 2004]. No combate ao terrorismo, autoritarismo, em nome da paz e dos direitos humanos, os Estados Unidos da América estiveram envolvidos em pelo menos dez conflitos nos últimos trinta anos, a maioria deles no Oriente Médio, dois deles membros da OPEP.

Se na década de 80, Jeane Kirkpatrick, embaixadora dos EUA na ONU, teve papel vital no que viria a ser a Doutrina Reagan no que tange a política externa, nos anos 90 Paul Wolfowitz, subsecretário de Defesa do governo de George H. FIORI, José L. Hegemonia e Império. In: TAVARES, Maria C. e FIORI, José L. orgs). F. R. Cardoso; RUCKS, Jessika Tessaro; SOUZA, Renata Motter de. A retomada da "hegemonia norte-americana" e seus impactos sob a América Latina.  Revista Videre, [S. p. VARGAS, Juliano; FELIPE, Ednilson Silva. Década de 1980: as crises da economia e do Estado brasileiro, suas ambiguidades institucionais e os movimentos de desconfiguração do mundo do trabalho no país.  Revista de Economia, v. n. shtml, 2002. HELLEINER, Eric. Freeing money: why have states been more willing to liberalize capital controls than trade barriers?.

 Policy Sciences, v. n.

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