ESTRATÉGIA EMPRESARIAL: A PRODUÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA NOS ANOS 90

Tipo de documento:Artigo acadêmico

Área de estudo:Administração

Documento 1

Encerra-se com uma tentativa de delimitar o que a área de Estratégia Empresarial entre nós tratou até o momento, cotejando essa produção com as principais temáticas e tendências da produção internacional nos dias atuais. Introdução – Resgate histórico Embora presente no ensino e no exercício profissional da administração desde os primeiros momentos, a área de Estratégia só se manifesta com alguma sistematização mais tarde do que outras áreas funcionais. Não se pode negar que os primeiros cursos de Administração de Negócios ensinados em Wharton, no final do século XIX, e em Harvard, no início do século XX, já dispunham de um núcleo formado por preocupações de natureza estratégica, embora não se utilizasse à época tal designação.

Naquele tempo a disciplina era chamada de Business Policy, designação com a qual desembarcou no Brasil, a bordo dos primeiros programas de graduação em Administração de Empresas, na escola da Fundação Getulio Vargas em São Paulo, onde se cunhou o termo Diretrizes Administrativas, e na Faculdade de Economia, Administração e Ciências Contábeis da Universidade de São Paulo, onde se adotou simplesmente a designação de Política de Negócios. Na FGV, o tempo encarregou-se de sepultar Diretrizes Administrativas e os cursos da área passaram a atender por outros nomes. Nos Anais do Enanpad foram considerados todos os artigos aceitos na área temática de Estratégia Empresarial no período consultado, em um total de 238 artigos. De 1997 a 2002 observamos um crescimento de praticamente 100% no número de artigos publicados, sendo 28 artigos em 1997 e 54 artigos em 2002.

Ao final do levantamento totalizou-se um número de 303 artigos, conforme descrito no Quadro 1. O processo de classificação dos artigos encontrados neste levantamento foi feito com base em: (a) perspectiva teórica, (b) temáticas propostas pelos autores, (c) metodologia empregada no artigo, (d) artigos produzidos por universidade /faculdade, (e) número de autores por artigo e (f) autores mais prolíficos no campo. Os resultados dessa classificação estão expressos nos quadros no decorrer do artigo. Temática proposta As áreas temáticas propostas referem-se a tópicos básicos ou usuais da área de Estratégia. Fundamentos Organizacionais – É o tema que agrega o maior percentual da base de dados – 27,2%. Isso se deve ao fato de que boa parte dos autores tem sua origem na área organizacional e esta é também uma das áreas a partir da qual a Estratégia acabou por se delinear com um perfil próprio.

Se considerarmos as demais áreas de embasamento da Estratégia, como economia, sociologia, ciência política, teoria dos jogos, finanças empresariais e marketing, veremos que o interesse pelas demais áreas em escrever sobre Estratégia está ainda longe de um claro despertar. Isso faz com que muitos artigos se refiram a tópicos como cultura organizacional, mudança e transformação de organizações, problemas gerenciais de implantação ou de revisão de estratégias. Além disso, boa parte da gestão de grandes empresas, as que são evidentemente as mais propensas a sentir necessidade de planejar, tem fortes traços de organização funcional /burocrática que combina muito bem com a concepção e a prática do Planejamento Estratégico. Outro dado importante é que o Planejamento Estratégico atende aos requisitos organizacionais de formalização.

É algo que se escreve, se lê e se pode apresentar, concretizando a imagem de que se está gerindo estrategicamente o negócio. Nada simboliza melhor a idéia de que as estratégias são deliberadas, o que é um tributo aos gestores que se portam proativamente. Recursos e Competências – Este pode ser visto como um efeito surpresa, pela reduzida presença de RBV – Resource Based View – na base de dados, com apenas 9,4%. Essas movimentações estratégicas têm sido motivadas por alterações no cenário competitivo e podem ser ditadas por necessidades de ganho de escala ou de redução de custos por intermédio de processos de terceirização, que também costuma ser tratada como modalidade de aliança. Na medida em que a frequência de alianças vem aumentando, é inteligível que autores se voltem com maior interesse para o fenômeno.

Análise de Competitividade – O tema é autoexplicativo, uma vez que a Estratégia tem sido considerada como inseparável da competitividade e difundiu-se a afirmação e a concepção de que os negócios são competitivos, o mercado é o local onde se dá a competição e que as estratégias se provam, em última instância, em contextos competitivos. O fato de a competitividade ser tão enfatizada e ocupar posição tão central nas concepções da disciplina e da prática faz com que seja surpreendente termos apenas 5,9% dos trabalhos a ela dedicados. Análise de Tipologias Estratégicas – Produção de tipologias é um procedimento científico clássico. ANSOFF, H. I. Toward a strategic theory of the firm. In: Ansoff, H. I. Business strategy.

London : Penguin, 1970. p. BARNEY, J. Resource-based theories of competitive advantage: a ten year retrospective on the resource-based view. p. GRANOVETTER, M. Economic action and social structure: the problem of embeddedness. American Journal of Sociology, v. n. n. p. JENSEN, M. C. Foundations of organizational strategy. A estratégia em ação: balanced scorecard. Rio de Janeiro : Campus, 1997. p. MINTZBERG, H. Patterns in strategy formation (in strategy formulation). Nov. Dec. PRAHALAD, C. K. e HAMEL, G. New York : Doubleday /Currency, 1991. x, 258p. SCHWARTZ, P. e GIBB, B. When good companies do bad things: responsibility and risk in an age of globalization. Strategy research: governance and competence perspectives. Strategic Management Journal, Dec.

25 R$ para obter acesso e baixar trabalho pronto

Apenas no StudyBank

Modelo original

Para download